Mundo - Com dezenas na fila da morte, EUA exigem que Irã interrompa execuções de presos políticos

Mundo - Com dezenas na fila da morte, EUA exigem que Irã interrompa execuções de presos políticos

 

O subsecretário de Estado dos Estados Unidos para a Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, Riley Barnes, condenou neste sábado (25) as execuções de cidadãos iranianos que participaram de protestos contra o regime islâmico e exigiu a libertação imediata de presos políticos no país. A declaração foi publicada em sua conta na rede social X.


“Condenamos as execuções de cidadãos iranianos por parte do regime: jovens corajosos que se atreveram a levantar a voz”, afirmou Barnes. “Nos unimos ao povo iraniano em sua petição ao regime para que liberte todos os presos políticos e pare de executar pessoas pelo exercício pacífico de seus direitos humanos e liberdades fundamentais. O mundo está observando.”

Aumento no número de execuções

Atualmente, as autoridades do Irã mantêm uma política de execuções que, segundo organismos internacionais de direitos humanos, busca intimidar a sociedade e coibir novos levantes populares. Relatórios apontam que dezenas de penas capitais foram aplicadas contra manifestantes, opositores políticos e supostos integrantes de organizações banidas no país.

A situação se agravou após a morte do ex-líder supremo Ali Khamenei, em 28 de fevereiro de 2026, e a ascensão de seu filho Mojtaba — que não fez aparições públicas desde que assumiu. O Irã intensificou a aplicação da pena de morte em um contexto de maior fragilidade política e repressão interna, especialmente após o fim da primeira fase do conflito com os Estados Unidos e Israel.

Alerta de organizações de direitos humanos

A organização Iran Human Rights (IHR) alertou que, com a ruptura do cessar-fogo e a retomada das hostilidades na região, o regime pode acelerar o expurgo de opositores. Mahmood Amiry-Moghaddam, diretor da IHR, destacou: “Com a ruptura do cessar-fogo e a retomada da guerra, nos preocupa profundamente que as autoridades aproveitem a situação para intensificar a execução de presos políticos.”

Conforme dados da IHR, centenas de detidos por motivações políticas enfrentam acusações sujeitas à pena capital. Cerca de 100 pessoas já estão condenadas à forca, incluindo mais de 70 reclusos na prisão de Dastgerd, em Isfahan.

Desde o início do conflito armado, a entidade documentou o enforcamento de 24 pessoas ligadas a protestos recentes e outras duas por atos em manifestações passadas. Além disso, 13 homens foram executados por supostos vínculos com o grupo opositores Mujahedin-e-Khalq (MEK) e outras 10 pessoas por acusações de espionagem.

Julgamentos sumários e a reação de Teerã

As autoridades iranianas justificam as sentenças alegando que os executados participaram de ataques fatais contra forças de segurança ou infraestruturas públicas. Em contrapartida, ONGs internacionais denunciam o uso recorrente de tortura e a realização de julgamentos sumários marcados por graves irregularidades processuais.

A IHR defende que a comunidade internacional e, em especial, a União Europeia condicionem qualquer avanço diplomático a uma moratória imediata da pena de morte. “A comunidade internacional deve tornar a moratória imediata sobre as execuções um tema central de toda negociação”, defendeu Amiry-Moghaddam.

Em resposta, o governo iraniano questionou a legitimidade das críticas europeias enviadas pela alta representante da UE para Política Externa, Kaja Kallas, que havia manifestado apreensão com a escalada da violência estatal.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqaei, declarou nas redes sociais: “Kaja Kallas expressa preocupações da União Europeia sobre direitos humanos no Irã. Como conciliar um suposto compromisso com direitos humanos e o apoio logístico oferecido a agressões contra o povo iraniano?”, questionou o diplomata, em referência ao alinhamento do bloco com Washington em meio às novas tratativas diplomáticas no Oriente Médio.


Gazeta Brasil

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