Psicanalista destaca que cultivar relacionamentos reduz a solidão, preserva a saúde mental e reforça o propósito de vida na velhice
Por Patricia Scott
Assim como a Bíblia ensina que “em todo tempo ama o amigo” (Provérbios 17:17), a amizade permanece como um dos maiores presentes de Deus em todas as fases da vida. Neste 20 de julho, Dia do Amigo e Internacional da Amizade, a data celebra o carinho e o afeto entre as pessoas e foi escolhida em referência à chegada do homem à Lua, em 1969. Para muitos, a conquista simbolizou que a união e a cooperação são capazes de superar grandes desafios. Na terceira idade, esse princípio ganha ainda mais significado, já que os laços de amizade contribuem diretamente para o bem-estar emocional, mental e até físico dos idosos.
Para a psicanalista Patrícia Pedro, o envelhecimento precisa ser visto como uma etapa de novas possibilidades, e não como o encerramento da vida ativa. Durante muito tempo, diz ela, a sociedade associou a velhice ao fim da produtividade. “Havia a ideia de que, após a aposentadoria, a pessoa deveria apenas descansar e esperar o tempo passar. Felizmente, essa realidade vem mudando. Hoje, entendemos que envelhecer não significa deixar de viver, mas viver uma nova etapa, repleta de possibilidades”, afirma.

Segundo a especialista, culturas orientais oferecem um exemplo importante ao reconhecerem os idosos como fonte de sabedoria e experiência. “Quem envelhece não perde sua capacidade de sonhar, ensinar, aprender e construir novos vínculos. Precisamos resgatar esse olhar de valorização da terceira idade”, ressalta.
Patrícia explica ainda que manter amigos é um dos fatores que mais contribuem para uma velhice saudável. “As amizades fortalecem a saúde emocional, reduzem sentimentos de solidão, estimulam a memória, favorecem a autoestima e incentivam uma vida mais ativa”, assinala, acrescentando que pessoas idosas que preservam boas relações sociais apresentam melhor qualidade de vida e menor risco de isolamento, depressão e declínio cognitivo.
Ela acrescenta que o valor dos amigos vai muito além da companhia. “A amizade oferece pertencimento ao idoso, lembrando-o que continua sendo importante, amado e necessário. Afinal, ninguém envelhece deixando de precisar de afeto.”
Superando o isolamento
De acordo com a psicanalista, um dos maiores obstáculos enfrentados pelos idosos é o preconceito relacionado ao envelhecimento. “Muitas pessoas acreditam, ainda que inconscientemente, que o idoso já não tem mais o que oferecer. Entretanto, a realidade é exatamente o contrário”, atesta Patrícia.
Ela destaca que existe uma sabedoria construída ao longo da vida que não pode ser substituída pelo conhecimento acadêmico. “Quando nos sentamos para ouvir um idoso, encontramos histórias, experiências, superações e aprendizados que nenhuma formação acadêmica é capaz de substituir.”
Outro desafio, segundo Patrícia, é o ritmo acelerado da sociedade, que acaba afastando famílias e amigos. “Vivemos adiando encontros, dizendo ‘amanhã eu visito meu avô’ ou ‘na próxima semana eu passo para vê-lo’. Muitas vezes, esse amanhã demora a chegar. Enquanto isso, alguns idosos acabam acreditando que realmente não têm mais espaço e passam a se isolar.”
Ela defende uma mudança de perspectiva sobre a terceira idade. “É possível fazer novas amizades, viajar, aprender tecnologia, participar de grupos, servir à comunidade, compartilhar conhecimento e iniciar novos projetos. Nunca é tarde para recomeçar.”
A igreja como espaço de comunhão
Patrícia também destaca o papel da igreja na construção de relacionamentos saudáveis entre gerações. “A comunidade de fé é um dos ambientes mais ricos para a construção de relacionamentos saudáveis. Ela oferece acolhimento, propósito, comunhão e oportunidades para servir.”
Na visão de Patrícia, o convívio entre jovens e idosos beneficia toda a comunidade. “Os mais jovens recebem orientação daqueles que já percorreram muitos caminhos, enquanto os mais velhos encontram espaço para continuar contribuindo com seus dons, sua experiência e sua fé.”
A especialista lembra que esse modelo aparece em diversos relatos bíblicos. Isabel acolheu Maria em um momento decisivo (Lucas 1:39-45); Noemi aconselhou Rute com amor e sabedoria; e Jetro orientou Moisés a compartilhar responsabilidades (Êxodo 18), demonstrando o valor da experiência e do aconselhamento.
“Quando a igreja promove essa aproximação entre gerações, todos são edificados. Os idosos deixam de ser apenas espectadores e continuam exercendo seu papel de discipuladores, conselheiros e exemplos de perseverança na fé.”
Princípio bíblico para todas as idades
Patrícia afirma que a amizade ocupa um lugar central nas Escrituras por ser um instrumento de fortalecimento e cuidado mútuo. “A amizade, na perspectiva bíblica, fortalece, consola, corrige, encoraja e ajuda a enfrentar os desafios da vida.”
Ela cita Provérbios 27:17 — “Assim como o ferro afia o ferro, o homem afia o seu companheiro” — para destacar que relacionamentos saudáveis promovem crescimento e amadurecimento. Além disso, lembra o ensinamento de Levítico 19:32, que orienta o respeito aos idosos. “Essa honra não deve ser apenas um gesto de respeito, mas também de convivência, escuta e valorização.”
Para a psicanalista, cultivar amizades na terceira idade é uma forma de viver com propósito e esperança. “Envelhecer com amigos é envelhecer com sentido. É descobrir que Deus continua escrevendo novas histórias em todas as fases da vida e que nunca é tarde para amar, servir, ensinar, aprender e construir novos vínculos.”
Comunhão
Postar um comentário