STF inicia julgamento sobre anulação de absolvição no Caso Mariana Ferrer

STF inicia julgamento sobre anulação de absolvição no Caso Mariana Ferrer

 Corte analisa se humilhações sofridas pela influenciadora durante audiência justificam a nulidade do processo que absolveu empresário acusado de estupro.

                                                                © Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil/Arquivo


O Supremo Tribunal Federal (STF) deu início, nesta quarta-feira (17), ao julgamento do recurso que pede a anulação do processo em que o empresário André de Camargo Aranha foi absolvido da acusação de estupro contra a influenciadora digital Mariana Ferrer. O caso, ocorrido em 2018 em uma boate de Florianópolis, tornou-se um marco no debate sobre a vitimização secundária no sistema de Justiça brasileiro após a divulgação de imagens da audiência de instrução, nas quais a vítima foi submetida a humilhações.

Sustentações orais

A sessão desta quarta-feira foi reservada às sustentações orais. A defesa de Mariana Ferrer defendeu a nulidade do processo, argumentando que a vítima foi submetida a um tratamento indigno. O advogado Júlio Cesar Ferreira da Fonseca criticou a postura da defesa do acusado na época, que utilizou fotos pessoais e profissionais da influenciadora para tentar desqualificá-la, questionando inclusive a natureza das imagens. A defesa de André de Camargo Aranha, por sua vez, solicitou a manutenção da absolvição, sustentando que a decisão de primeiro grau foi baseada em um conjunto probatório exaustivo e que a tese de acusação não se sustentou ao longo da instrução.

Impacto legislativo e jurisprudência

O caso gerou repercussão imediata e levou à criação da Lei 14.245, conhecida como Lei Mari Ferrer, sancionada em 2021, que estabelece punições severas para atos contra a dignidade de vítimas de violência sexual e testemunhas durante depoimentos judiciais ou policiais. Além disso, em 2024, o STF consolidou o entendimento de que é proibida a desqualificação de vítimas de crimes sexuais durante interrogatórios, visando evitar o constrangimento e o abuso processual que marcaram o caso em questão.

Próximos passos

O julgamento será retomado nesta quinta-feira (18), quando o ministro Alexandre de Moraes, relator da matéria, apresentará seu voto, seguido pelas manifestações dos demais ministros da Corte. A decisão do STF poderá estabelecer um precedente fundamental sobre a higidez dos atos processuais quando há violação da dignidade da vítima, definindo se as ofensas e o tratamento recebido por Mariana Ferrer possuem peso jurídico suficiente para anular uma sentença absolutória e determinar um novo julgamento.

Por André Richter - Repórter da Agência Brasil - 20

da redação FM

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