Os primeiros navios comerciais de grande calado cruzaram o Estreito de Ormuz nesta quinta-feira (18) após 110 dias de bloqueio. A liberação ocorreu depois que os Estados Unidos e o Irã firmaram um acordo provisório para encerrar a guerra entre os dois países, conforme confirmado pelas empresas de rastreamento marítimo Lloyd’s List Intelligence e Kpler.
Entre as embarcações que realizaram a travessia estão três superpetroleiros da Arábia Saudita – classificados como VLCC (Very Large Crude Carriers) –, transportando uma carga combinada de seis milhões de barris de petróleo bruto, de acordo com a Kpler. Também cruzou o estreito o navio metaneiro Mraikh, o primeiro cargueiro francês de gás natural liquefeito (GNL) a fazer o trajeto desde o início do conflito, em 28 de fevereiro.
Richard Meade, editor-chefe da Lloyd’s List, afirmou em entrevista coletiva que esta foi “a primeira vez em 110 dias” que embarcações de grandes armadoras atravessaram o estreito. Entre as empresas cujos navios transitaram pela via estão Grimaldi Group, Cosco, Knutsen e NYK, segundo a mesma fonte.
A Kpler registrou seis travessias verificadas na quarta-feira (17) e outras 11 na quinta-feira (18). Às 14h30 GMT de quinta-feira, a empresa contabilizava oito navios mercantes em trânsito — número que equivale aproximadamente ao volume diário médio da semana anterior, mas que ainda está muito abaixo dos 120 trânsitos diários registrados antes da guerra, segundo a Lloyd’s List.
O chanceler italiano, Antonio Tajani, informou em sua conta no X (antigo Twitter) que um navio mercante do Grimaldi Group foi um dos primeiros a fazer a travessia após a assinatura do acordo. Paralelamente, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, anunciou que a Marinha americana suspendeu o bloqueio do estreito para permitir a passagem de algumas embarcações em direção a portos iranianos.
Riscos e minas ainda impedem reabertura total
Apesar do acordo, “persistem riscos significativos de segurança”, alertou Jakob Larsen, diretor de segurança da organização naval BIMCO, em comunicado. Larsen precisou que a parte central do estreito está minada e permanece infranqueável, advertindo ainda que o texto assinado carece de detalhes sobre as medidas para retirar os navios que ficaram presos no Golfo.
Phillip Belcher, diretor marítimo da Intertanko — associação de armadores independentes de todo o mundo —, estimou que a rota central tem cerca de 80 minas pendentes de neutralização. Por conta disso, o tráfego está sendo canalizado por duas rotas alternativas: a setentrional, que passa por águas iranianas, e a meridional, que atravessa águas de Omã.
“É como uma rodovia onde a faixa central está fechada e usam-se os acostamentos”, comparou Belcher, alertando que a reabertura completa da via pode levar semanas ou meses.
Centenas de navios e milhares de marinheiros ainda aguardam
A Organização Marítima Internacional (OMI) informou que mais de 500 navios comerciais permanecem parados no Golfo Pérsico, com cerca de 11 mil marinheiros a bordo. No total, aproximadamente 20 mil navegantes da região foram afetados pelo conflito.
A Lloyd’s List estima que cerca de 550 embarcações mercantes precisarão se preparar para deixar o Golfo nos próximos dias: 160 petroleiros, 200 graneleiros, 60 porta-contêineres e 10 transportes de veículos. A BIMCO indicou que espera a criação, em breve, de um organismo internacional de coordenação para facilitar e organizar os trânsitos.
Antes do conflito, o Estreito de Ormuz canalizava um quinto de todo o petróleo bruto mundial, segundo dados da Lloyd’s List.
Gazeta Brasil com F/M
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