A influenciadora e advogada Deolane Bezerra, presa desde 21 de maio de 2026, é apontada pela Justiça de São Paulo como peça-chave em um esquema de lavagem de dinheiro ligado à organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo investigações do Ministério Público (MP-SP), o plano incluía a transferência de ativos para fundos em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
Nesta terça-feira (16), a Justiça aceitou a denúncia do MP e tornou Deolane ré, juntamente com Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e outros integrantes do grupo, pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Movimentação de R$ 27 milhões
Relatórios de inteligência financeira citados na decisão judicial indicam que a influenciadora movimentou cerca de R$ 27 milhões em suas contas bancárias. A análise aponta o uso de técnicas típicas de lavagem de capitais, como a pulverização de depósitos, a utilização de “laranjas” e inconsistências em declarações fiscais.
Segundo o Ministério Público, Deolane recebeu repasses de uma transportadora de cargas controlada pela facção, com sede em Presidente Venceslau (SP). Everton de Sousa, conhecido como “Player” ou “Temer” e apontado como operador financeiro de Alejandro Herbas Camacho Junior (irmão de Marcola), era o responsável por coordenar as transferências.
Áudios e armazenamento de valores
A investigação também menciona áudios enviados por Deolane a uma funcionária doméstica. De acordo com a Promotoria, as mensagens demonstraram que parte dos valores atribuídos ao grupo criminoso era armazenada em imóveis da influenciadora e de seus filhos.
Plano de expansão internacional
De acordo com a decisão, as autoridades apuraram um plano para a reestruturação de empresas ligadas ao grupo, com o objetivo de transferir o patrimônio para os Emirados Árabes — país descrito no processo como “reconhecidamente associado à utilização de shell companies (empresas de fachada) para a facilitação de lavagem internacional de ativos”.
Sequestro de bens de luxo
A Justiça determinou o sequestro de bens de alto valor da investigada, incluindo carros de luxo registrados em seu nome ou em empresas vinculadas a ela. Entre os veículos listados na decisão estão uma Lamborghini Huracán, uma Mercedes-Benz AMG G63 e uma Cadillac Escalade.
Quem são os réus
Além de Deolane Bezerra e Marcola, também se tornaram réus no processo: Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior e Everton de Sousa.
O que diz a defesa
Em nota conjunta, os advogados Aury Lopes Júnior, Josimary Rocha de Vilhena, Luiz Ricardo Rodrigues Imparato e Rogério Nunes defenderam a inocência de Deolane e afirmaram que vão utilizar “todos os meios de prova necessários ao esclarecimento do caso, afastando qualquer alegação de ilicitude ou conduta criminosa”. Ainda segundo a defesa, a influenciadora não possui “qualquer vínculo com o crime organizado” e seus rendimentos têm origem lícita e regularmente declarada.
Próximos passos
Ao aceitar a denúncia do Ministério Público, a Justiça dá início à ação penal, o que não significa uma condenação prévia. A partir desta etapa, o processo segue para a fase de instrução, com a produção de provas, depoimentos de testemunhas e apresentação das alegações finais das defesas, até que o Judiciário profira a sentença. A decisão foi assinada pelo juiz Deyvison Heberth dos Reis, da 3ª Vara de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo.
Gazeta Brasil
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