Ecossistemas costeiros como manguezais são vitais para mitigar o aquecimento global e sustentar comunidades tradicionais no Brasil.
© Fernando Frazão/Agência Brasil
Nesta segunda-feira (8), Dia Mundial dos Oceanos, ambientalistas reforçam o papel do chamado “carbono azul” no combate às mudanças climáticas. O conceito refere-se à capacidade de ambientes marinhos, como manguezais, marismas e pradarias, de capturar e armazenar dióxido de carbono da atmosfera, funcionando como sumidouros naturais.
Potencial brasileiro e invisibilidade
O Brasil possui uma posição estratégica global, ao abrigar o maior sistema contínuo de manguezais do mundo em sua costa amazônica. Apesar disso, especialistas apontam que o ecossistema marinho ainda recebe menos atenção pública e financeira do que biomas terrestres como a Amazônia e o Cerrado.
Para Marina Corrêa, analista de conservação do WWF-Brasil, o oceano é frequentemente tratado de forma equivocada como um “sistema invisível” ou uma imensidão vazia. Ela destaca que o Sistema Marinho-Costeiro brasileiro ocupa cerca de 5,7 milhões de quilômetros quadrados, área equivalente a 40% do território nacional, onde reside mais da metade da população do país.
Segurança alimentar e justiça territorial
Além da regulação climática, a preservação desses ambientes é fundamental para a economia e a sobrevivência de milhões de pessoas. Natali Piccolo, da Conservação Internacional (CI-Brasil), ressalta que o oceano produz mais da metade do oxigênio global e sustenta a segurança alimentar de milhares de pessoas através da pesca artesanal. No Brasil, aproximadamente 1,7 milhão de pescadores dependem diretamente da saúde desses ecossistemas.
A proteção dessas áreas também levanta debates sobre direitos territoriais. Segundo as organizações, projetos voltados ao carbono azul devem, obrigatoriamente, incluir a participação de comunidades tradicionais. O sucesso dessas iniciativas deve ser medido não apenas pela quantidade de carbono estocado, mas pela capacidade de fortalecer territórios e melhorar a qualidade de vida das populações que conservam esses locais há gerações.
A degradação desses ecossistemas representa um risco duplo: além de perderem sua função de proteção natural contra a erosão e eventos climáticos extremos, áreas destruídas podem liberar para a atmosfera grandes estoques de carbono acumulados ao longo de décadas, intensificando o aquecimento global.
Por Rafael Cardoso - Repórter da Agência Brasil - 20
da redação FM
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