Entidades criticam redução tímida da taxa Selic pelo BC

Entidades criticam redução tímida da taxa Selic pelo BC

 Com corte de apenas 0,25 ponto percentual, taxa básica de juros recua para 14,25% ao ano em meio a pressões inflacionárias e incertezas globais.

                                                                              © José Cruz/Agência Brasil


O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou nesta quarta-feira (17) a redução da taxa Selic de 14,50% para 14,25% ao ano. A decisão marca a terceira queda consecutiva do indicador em 2026, mantendo um ritmo de flexibilização gradual que tem sido alvo de duras críticas por parte de representantes da indústria e dos trabalhadores. Para estas entidades, a medida é insuficiente para destravar os investimentos produtivos e aliviar o custo de vida das famílias brasileiras.

Insatisfação no setor produtivo

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou o corte como ineficaz diante da “asfixia financeira” enfrentada pelo setor. O presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou que juros reais elevados continuam a inviabilizar projetos de expansão industrial, penalizando o consumo e mantendo o governo e as empresas sob pressão pelo serviço da dívida. A entidade argumenta que o alívio recente nos preços do petróleo, decorrente de acordos geopolíticos no Oriente Médio, ofereceria espaço para uma flexibilização monetária mais agressiva por parte do Banco Central.

Críticas dos trabalhadores

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) também se manifestou contra o ritmo da redução, classificando a decisão como “tímida”. Em nota, a central sindical afirmou que a política monetária atual ignora sinais de recuperação econômica e mantém a classe trabalhadora sob o peso de um crédito encarecido. A CUT reforçou que o modelo de autonomia do Banco Central favorece a especulação financeira em detrimento do financiamento de áreas estratégicas, como saúde, educação e infraestrutura, defendendo um corte mais contundente nos juros para estimular a geração de empregos de qualidade.

Sinais de cautela

Embora a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) tenha classificado a decisão como positiva, a entidade ponderou que o patamar atual da Selic ainda é restritivo. Segundo a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, o custo do crédito permanece como um entrave para a retomada consistente de investimentos no setor. Do lado do Banco Central, o tom permanece cauteloso. Em seu comunicado oficial, o órgão apontou que as projeções de inflação se distanciaram da meta, exigindo serenidade na condução da política monetária diante de um cenário global ainda marcado por volatilidade de preços e riscos fiscais domésticos.

Por Luciano Nascimento - Repórter da Agência Brasil - 02

da redação FM

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