OIM e Fundação Grupo Boticário lançam diretrizes para municípios brasileiros usarem soluções naturais no combate a desastres e deslocamentos forçados.
© Fernando Frazão/Agência Brasil
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) e a Fundação Grupo Boticário firmaram uma parceria estratégica para fortalecer a resiliência de cidades brasileiras diante das mudanças climáticas. O foco da iniciativa é a implementação de Soluções Baseadas na Natureza (SBN), como a restauração de manguezais, a recuperação de matas ciliares e o aumento de áreas verdes urbanas, estratégias fundamentais para mitigar os impactos de enchentes, deslizamentos e secas que frequentemente forçam comunidades a abandonar seus lares.
A colaboração entre a agência da ONU e a Fundação visa preencher uma lacuna técnica enfrentada pelos gestores públicos. Segundo dados da plataforma AdaptaBrasil, 66% dos municípios brasileiros possuem baixa ou muito baixa capacidade de adaptação a eventos climáticos extremos. A proposta é integrar agendas ambientais e humanitárias, tratando a conservação ambiental como um investimento direto na segurança e proteção das populações.
Ferramentas para gestores
Para apoiar prefeituras na adoção dessas medidas, o projeto disponibiliza diretrizes práticas e ferramentas tecnológicas, como a plataforma Natureza ON. Desenvolvida com tecnologia Google Cloud e suporte do MapBiomas, a ferramenta cruza dados ambientais e urbanos para diagnosticar áreas de risco e sugerir as soluções naturais mais adequadas para cada território.
Além do suporte técnico, a Fundação Grupo Boticário promove a capacitação continuada de gestores por meio de iniciativas como:
Incubadora de Projetos Solução Natureza: Suporte técnico especializado para 29 municípios brasileiros, em parceria com redes globais como o C40 Cities.
Curso de Adaptação baseada em Ecossistemas: Treinamento virtual gratuito, oferecido pela Escola Nacional de Administração Pública em conjunto com o Ministério do Meio Ambiente e a Fundação Getulio Vargas.
Impacto global e econômico
A urgência do tema reflete uma preocupação global. De acordo com o Relatório de Riscos Globais 2026, do Fórum Econômico Mundial, os deslocamentos forçados causados por crises ambientais figuram entre os dez maiores riscos para a economia mundial nos próximos dois anos. A adoção de SBN aparece como um caminho estratégico para evitar que a degradação do meio ambiente se transforme em uma crise humanitária e econômica de larga escala, protegendo as cidades e garantindo a estabilidade das comunidades brasileiras.
Por Rafael Cardoso - Repórter da Agência Brasil - 20
da redação FM


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