Atlas da Violência 2026 aponta que, enquanto homicídios por arma de fogo caem, acidentes com motos atingem patamar crítico nas cidades brasileiras.
Tânia Rêgo/Agência Brasil
O Brasil registrou 37.150 mortes no trânsito em 2024, com uma preocupante mudança na composição desses óbitos. De acordo com o Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, as vítimas em motocicletas alcançaram 15.459 casos, o que representa 41,6% do total de fatalidades em vias terrestres. O dado contrasta drasticamente com 2014, quando esse índice era de 28,7%. O estudo alerta que, embora a mortalidade geral no trânsito tenha caído 20% em uma década, a tendência de crescimento nos acidentes com motos voltou a acelerar.
A expansão da economia de aplicativos é apontada como fator determinante para essa nova dinâmica. A motocicleta tornou-se o principal instrumento de trabalho para milhares de brasileiros, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. O levantamento indica que, entre 2019 e 2024, as mortes envolvendo motos subiram 38%. A pressão por produtividade e a jornada exaustiva, aliadas à falta de proteção social, expõem esses trabalhadores a riscos constantes de letalidade no ambiente urbano.
O impacto das armas de fogo
Em paralelo ao cenário trágico das vias terrestres, o país apresentou uma redução nos índices de violência letal cometida com armas de fogo. Em 2024, foram 29.870 homicídios por esta causa, uma queda de 8,8% em relação a 2023. Atualmente, as armas de fogo respondem por 70,1% dos homicídios no Brasil, o menor índice registrado na década. Entretanto, a redução não foi uniforme: estados como Amapá e Roraima apresentaram aumentos expressivos no período, evidenciando uma fragmentação das dinâmicas da violência pelo território nacional.
O coordenador do Atlas, Daniel Cerqueira, sublinha que o fenômeno das motocicletas exige medidas urgentes. “O uso intensivo da moto é um desafio enorme para esses jovens trabalhadores. É necessário pensar em uma legislação específica que proteja esse público”, afirmou. Entre as estratégias defendidas pelos especialistas para conter a mortalidade no trânsito, destacam-se a redução de limites de velocidade, a melhoria da infraestrutura viária e o fortalecimento da fiscalização, além de políticas públicas voltadas à proteção desses trabalhadores.
Por Alana Gandra – repórter da Agência Brasil - 20
da redação FM


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