Estudo revela desafios do envelhecimento nas cidades brasileiras

Estudo revela desafios do envelhecimento nas cidades brasileiras

 Pesquisa do Elsi-Brasil aponta que infraestrutura urbana precária e falta de suporte para cuidados diários impactam a autonomia dos idosos.

                                                       © Marcello Casal JrAgência Brasil


Dados da terceira onda do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos (Elsi-Brasil), coordenado pela Fiocruz e pela UFMG, desenham um cenário de alerta sobre a qualidade de vida na terceira idade no país. A infraestrutura urbana aparece como um dos principais obstáculos: 40% dos idosos urbanos relatam medo de cair devido ao estado das calçadas e vias públicas. Esse receio é mais acentuado entre mulheres e aumenta conforme a idade, atingindo 63,1% dos brasileiros com 80 anos ou mais, o que limita a circulação social e a independência desse grupo.

Além das barreiras físicas, o levantamento destaca uma lacuna na rede de suporte aos cuidadores. Cerca de 20,4% dos idosos possuem dificuldades em realizar atividades básicas do dia a dia, como se vestir ou tomar banho, mas apenas 37,9% desses indivíduos recebem auxílio. Somente 5,8% dos cuidadores afirmaram ter passado por algum treinamento, evidenciando a carência de políticas públicas estruturadas para o apoio domiciliar e o cuidado de longa duração.

Saúde e suporte do SUS

A hipertensão arterial também se mantém como uma preocupação central, atingindo 34,4% da população idosa, o que equivale a 11 milhões de pessoas. Como a condição é frequentemente assintomática, especialistas reforçam a necessidade de rastreamento regular na atenção primária. Nesse contexto, o Sistema Único de Saúde (SUS) reafirma sua relevância: dois terços dos brasileiros acima de 60 anos dependem exclusivamente da rede pública, sendo a Estratégia Saúde da Família (ESF) a responsável pelo acompanhamento de 22,2 milhões de idosos.

Para apoiar gestores e profissionais de saúde, o Elsi-Brasil lançou um painel de indicadores interativo que reúne dados sobre autonomia, bem-estar e condições ambientais. A ferramenta busca subsidiar o planejamento urbano inclusivo e fortalecer a implementação da Década do Envelhecimento Saudável da ONU. Segundo Maria Fernanda Lima-Costa, coordenadora do estudo, os dados provam que envelhecer bem no Brasil exige enfrentar desigualdades que vão além da saúde biológica, incluindo segurança viária e acesso a redes de cuidado dignas.

Por Agência Brasil - 20

da redação FM

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