Investigações do Ministério Público revelam que influenciadora recebia recursos ilícitos da facção por meio de empresa de fachada e depósitos fracionados.
Reprodução g1/Reprodução/Arquivo/TV Globo
A prisão da influenciadora Deolane Bezerra, nesta quinta-feira (21), marca um desdobramento crítico na Operação Vérnix, que mira a estrutura financeira do Primeiro Comando da Capital (PCC). Após sete anos de apurações, o Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil identificaram que a advogada e influenciadora teria servido como peça fundamental para a circulação de dinheiro proveniente do crime organizado, utilizando contas próprias e de suas empresas para ocultar a origem ilícita de milhões de reais.
O elo central do esquema, segundo os investigadores, era uma transportadora de fachada sediada no interior paulista. A empresa operava sob o comando da cúpula da facção para lavar recursos através de transações complexas, envolvendo depósitos fracionados técnica conhecida como smurfing para evitar alertas dos órgãos de controle financeiro. Entre 2018 e 2021, Deolane teria recebido mais de 1 milhão de reais em depósitos suspeitos em sua conta física, além de centenas de milhares de reais repassados para suas empresas por entes sem capacidade financeira comprovada.
Conexão com o clã de Marcola
A análise de provas apreendidas, incluindo bilhetes manuscritos e aparelhos celulares de operadores financeiros do PCC, estabeleceu a ligação direta entre Deolane e familiares de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. A sobrinha do líder da facção, Paloma Sanches Herbas Camacho, é apontada como a principal articuladora na intermediação entre a influenciadora e a família de Marcola. Parte dos recursos movimentados tinha como destinatário final o próprio Marcola e seu irmão, Alejandro Camacho, ambos custodiados no sistema federal.
Estrutura da investigação
A Operação Vérnix é a terceira fase de um inquérito iniciado em 2019, que evoluiu de uma apuração interna sobre ataques a agentes públicos para a descoberta de uma vasta rede de lavagem de capitais. O rastreio financeiro revelou que, além de Deolane, outros operadores financeiros como Everton de Souza, o “Player”, atuavam na distribuição do dinheiro para diversos destinos, inclusive contas no exterior.
A Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de 27 milhões de reais em nome de Deolane Bezerra, valor que a defesa não conseguiu justificar como fruto de atividades lícitas ou serviços advocatícios. A decisão judicial que autorizou as prisões e buscas destacou a necessidade de garantir a ordem pública, dada a sofisticação do grupo criminoso e o risco real de ocultação de provas e fuga evidenciado pela prisão de investigados no exterior e pelo fato de Deolane ter retornado ao Brasil recentemente, após um período na Itália.
Por Isabela Leite, Léo Arcoverde, Rodrigo Rodrigues, GloboNews e g1 SP - 20
da redação FM

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