Diabetes impacta saúde emocional de 70% dos brasileiros

Diabetes impacta saúde emocional de 70% dos brasileiros

 Pesquisa global revela que ansiedade e isolamento afetam maioria dos pacientes; especialistas defendem tecnologia como aliada no controle da glicemia.

                                                                    © Marcello Casal jr/Agência Brasil


O impacto do diabetes vai muito além das complicações físicas. Um estudo realizado pelo Global Wellness Institute (GWI), em parceria com a Roche Diagnóstica, aponta que sete em cada dez brasileiros com a doença enfrentam prejuízos significativos ao seu bem-estar emocional. A ansiedade quanto ao futuro é uma realidade para 78% dos entrevistados, enquanto 40% relatam sentimentos de solidão e isolamento causados pela condição crônica.

O levantamento, que ouviu mais de 4,3 mil pessoas em 22 países, incluindo o Brasil, destaca que o cenário é ainda mais crítico entre pacientes com diabetes tipo 1, onde o índice de comprometimento emocional chega a 77%. O Brasil, que ocupa a 6ª posição mundial em número de casos, soma 16,6 milhões de adultos diagnosticados, segundo a International Diabetes Federation.

Tecnologia como ferramenta de previsibilidade

A rotina de cuidados é um dos principais fatores de estresse. Cerca de 56% dos brasileiros afirmam que a doença limita a capacidade de passar o dia fora de casa, e 55% relatam não conseguir um descanso pleno devido às oscilações glicêmicas noturnas. Diante desses desafios, a busca por tecnologias mais inteligentes é uma prioridade para os pacientes.

A principal demanda entre os entrevistados é a adoção de sistemas de monitoramento contínuo de glicose (CGM) equipados com inteligência artificial. Segundo 53% do grupo, a capacidade de prever variações nos níveis de glicose antes que ocorram permitindo ações preventivas contra hipoglicemia e hiperglicemia é a funcionalidade mais desejada, pois confere ao paciente a sensação de controle sobre a própria vida.

O debate sobre acesso e saúde pública

Para André Vianna, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a tecnologia de monitoramento contínuo representa uma mudança de paradigma. “Esse sensor permite à pessoa entender precocemente o que vai acontecer nas próximas horas. A pessoa vai saber se a glicose daqui a meia hora estará alta ou baixa e pode tomar uma atitude preventiva”, explica.

O médico ressalta que, embora os benefícios sejam claros na redução de internações e complicações a longo prazo, o acesso a esses dispositivos no Brasil ainda é desigual. Enquanto o mercado privado atende uma parcela da população com maior poder aquisitivo, a disponibilização em larga escala pelo Sistema Único de Saúde (SUS) enfrenta entraves. Em janeiro de 2025, o Ministério da Saúde decidiu não incorporar o monitoramento contínuo por escaneamento ao SUS, embora o tema tramite no Poder Legislativo por meio de projetos de lei que buscam tornar o fornecimento gratuito obrigatório.

A carga do diabetes, descrita por especialistas como um estresse diário e constante, pode ser mitigada pela inovação. A expectativa é que, com a evolução das políticas públicas e a popularização das ferramentas preditivas, a gestão da doença deixe de ser fonte de incerteza, permitindo que os pacientes conciliem o controle da glicemia com suas funções laborais e momentos de lazer sem interrupções severas.

Por Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil - 20

da redação FM

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