Últimas - NotíciasAdeus à biópsia invasiva? Novo teste de urina detecta se o câncer de bexiga voltou

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Um novo teste de urina pode ajudar a detectar câncer de bexiga residual após cirurgia e tratamento com BCG, ao analisar o DNA tumoral presente na urina. A tecnologia consegue diferenciar pacientes que podem ser curados apenas com a cirurgia, aqueles que podem se beneficiar da imunoterapia com BCG e aqueles que não respondem ao tratamento e apresentam alto risco de recorrência.

Os resultados mostram que pacientes com DNA tumoral detectável após o término da terapia com BCG têm maior probabilidade de o câncer voltar. Já aqueles em que o DNA tumoral desaparece tendem a apresentar evolução clínica mais favorável. A abordagem pode permitir um tratamento mais personalizado, indicando quem precisa de terapia adicional, quem pode evitar o BCG com segurança e quem deve receber intervenção precoce.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), a estimativa é de 11.370 novos casos de câncer de bexiga no Brasil em 2025, sendo 7.870 em homens e 3.500 em mulheres. O risco entre os homens é mais que o dobro. Cerca de 70% a 75% dos casos recém-diagnosticados são do tipo não invasivo ao músculo (NMIBC), estágio inicial em que as células cancerosas estão restritas às camadas internas da bexiga.

O tratamento inicial geralmente envolve a remoção do tumor. Em seguida, podem ser administrados medicamentos diretamente na bexiga para eliminar possíveis células remanescentes e reduzir o risco de recorrência ou progressão da doença.

Nos casos de maior risco, é comum o uso da imunoterapia com Bacillus Calmette-Guérin (BCG). Apesar de eficaz, o tratamento pode causar efeitos colaterais e ainda é difícil prever quais pacientes terão boa resposta.

Um estudo recente publicado na revista Cell indica que o novo teste de urina pode ajudar a identificar quais pacientes realmente se beneficiam do BCG e quais não respondem ao tratamento. Isso representa um avanço importante rumo à medicina personalizada.

O tratamento padrão para NMIBC inclui a ressecção transuretral do tumor da bexiga (TURBT). Mesmo após uma cirurgia bem-sucedida, a doença pode retornar, muitas vezes devido ao chamado “efeito de campo”, em que o revestimento da bexiga permanece suscetível ao surgimento de novos tumores ou mantém células microscópicas cancerígenas.

Esse efeito está relacionado à presença de mutações em células aparentemente normais ao redor do tumor, o que pode dificultar a interpretação de exames e gerar resultados falso-positivos.

Para reduzir esse risco, médicos utilizam o BCG, mas ainda não existe uma forma precisa de prever quem realmente precisa do tratamento. Isso pode expor pacientes a efeitos colaterais desnecessários ou atrasar terapias mais eficazes.

A pesquisa, liderada por cientistas da Universidade de Stanford, analisou biópsias líquidas baseadas na urina, que detectam fragmentos de DNA tumoral liberados no organismo. Como a urina entra em contato direto com a bexiga, ela se torna uma ferramenta eficaz para monitorar a doença de forma não invasiva.

Os testes foram realizados em pacientes após cirurgia e tratamento com BCG. Aqueles com DNA tumoral detectável apresentaram maior risco de recidiva, enquanto pacientes sem sinais do DNA tiveram melhores resultados, mesmo quando exames tradicionais indicavam normalidade.

Se confirmados em estudos maiores, os resultados podem trazer impactos importantes, como evitar tratamentos desnecessários, direcionar melhor o uso do BCG, identificar precocemente pacientes de alto risco e reduzir a necessidade de exames invasivos. Além disso, a estratégia pode ajudar a otimizar o uso do BCG, que enfrenta escassez em diversos países.

Gazeta Brasil

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