Pesquisas mostram que jovens usam inteligência artificial para estudo, lazer e apoio emocional, enquanto pais subestimam esse uso
crédito: Serenity Strull/ Getty Images
Adolescentes estão usando inteligência artificial no dia a dia de forma mais ampla do que muitos pais imaginam. É o que apontam pesquisas recentes realizadas nos Estados Unidos pelo Pew Research Center e pela organização Common Sense Media.
Os estudos indicam uma diferença significativa entre a percepção dos pais e a realidade relatada pelos jovens. Enquanto 51% dos responsáveis acreditam que os filhos usam IA, na prática, 64% dos adolescentes afirmam utilizar chatbots.
A tecnologia aparece em várias frentes. Muitos jovens recorrem à IA para estudar, fazer tarefas escolares e buscar informações. Outros usam para entretenimento, criação de conteúdo e até para decisões do cotidiano.
Há também usos mais sensíveis. Parte dos adolescentes afirma utilizar a IA para conversar sobre sentimentos e buscar aconselhamento. Segundo o levantamento, 12% recorrem à tecnologia para apoio emocional e 16% para conversas informais.
Apesar disso, o diálogo dentro de casa ainda é limitado. Quatro em cada dez pais dizem nunca ter conversado com os filhos sobre inteligência artificial. Para especialistas, essa falta de comunicação preocupa.
“Essa não é uma conversa que esteja acontecendo com uma grande parcela dos pais”, afirma Monica Anderson, do Pew Research Center.
Especialistas defendem que famílias acompanhem mais de perto o uso da tecnologia. A orientação é que os pais façam perguntas e observem possíveis sinais de uso problemático, como isolamento, queda no desempenho escolar ou dependência emocional de chatbots.
No ambiente escolar, a IA também já faz parte da rotina. Muitos adolescentes utilizam a tecnologia para auxiliar em estudos, especialmente em disciplinas como matemática e redação. Ao mesmo tempo, cresce a percepção de uso para cola, relatada por colegas.
Os dados mostram ainda uma diferença de visão entre gerações. Para 52% dos pais, usar IA em tarefas escolares é antiético. Já entre os adolescentes, o mesmo percentual considera a prática inovadora.
Mesmo com preocupações, os jovens tendem a ver a tecnologia de forma mais positiva. Parte significativa acredita que a inteligência artificial terá impacto benéfico em suas vidas no longo prazo.
Por Thomas Germain - BBC Future - 44
da redação FM
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