Uma criança italiana de 12 anos nunca viu a seleção azul numa Copa
Haveria uma trilha sonora para a derrota nos pênaltis da Itália contra a Bósnia, numa das decisões da repescagem europeia e que significou a ausência da Azzurra na Copa do Mundo de 2026? Quem sabe, a ária Addio del Passato, da ópera La Traviata, de Giuseppe Verdi.
Experimente ouvi-la vendo as imagens dos jogadores italianos no centro do campo, atônitos e desenganados, depois do empate de 1 a 1 aos 90 minutos e na prorrogação e derrota por 4 a 1 nas penalidades. “Adeus, sonhos felizes do passado”, diz a letra da canção.
Pela terceira vez consecutiva, a seleção tetracampeã do mundo não conseguiu se classificar para um Mundial. É um recorde negativo entre os países que ergueram a taça ao menos uma vez.
Chega a ser dramático — ou comovente, a depender do ponto de vista. “É uma verdadeira pena, mas isto é futebol”, disse o treinador Gennaro Gattuso, ex-volante. “É um golpe duro. Se alguém me cutucar com alguma coisa hoje, não vai sangrar, não vai sair nada. Dói, mas não sinto nada.” Foi reação semelhante de parte dos tifosi, e também da imprensa, todos aparentemente já vacinados com tanta seca. “Apocalipse”, estampou o jornal Corriere della Sera, como se fosse o fim do mundo, embora o país inteiro saiba já não ser. Resumo da ópera: sem a Itália, apenas a Alemanha, entre os 48 escretes da Copa, terá a oportunidade de alcançar o Brasil, chegando ao penta.
A tristeza, na ponta do lápis: uma criança italiana de 12 anos nunca viu a seleção azul numa Copa.
Por Fábio Altman
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