O estudo, publicado na revista Gastroenterology, foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Aberdeen e indica que proteínas anormais associadas a essas doenças podem ser detectadas no tecido intestinal até sete anos antes do surgimento dos primeiros sintomas neurológicos.
Segundo os cientistas, essa descoberta pode abrir caminho para diagnósticos mais precoces e intervenções antecipadas, incluindo mudanças no estilo de vida e possíveis estratégias de tratamento antes da evolução da doença.
A professora Jenna Gregory, autora principal do estudo, afirmou que os resultados reforçam a ideia de que as alterações patológicas não se limitam ao cérebro.
“Estamos vendo evidências claras de que as mesmas alterações patológicas nas proteínas que ocorrem em várias doenças neurodegenerativas podem ocorrer no intestino muitos anos antes do que reconhecíamos anteriormente. Isso abre possibilidades totalmente novas para a detecção precoce e intervenção. Essas condições têm sido diagnosticadas muito tarde. Aprendemos que a detecção precoce é fundamental para melhorar os resultados”, disse.
O estudo também contou com a participação do cirurgião colorretal Angus Watson, do Hospital Raigmore, em Inverness. Ele destacou que os resultados podem influenciar futuras mudanças em exames de rotina.
De acordo com os pesquisadores, os processos ligados às doenças neurodegenerativas podem começar fora do cérebro e serem identificáveis no intestino muito antes do aparecimento dos sintomas.
Como foi feita a pesquisa
A equipe analisou biópsias intestinais de 196 pessoas com 60 anos ou mais, que apresentavam problemas digestivos sem causa definida, mas não tinham diagnóstico de doenças neurológicas. Os participantes foram acompanhados por cerca de 14 anos.
Os cientistas investigaram alterações em três proteínas associadas à neurodegeneração: TDP-43, alfa-sinucleína e tau, esta última ligada ao Alzheimer.
Em cerca de 60% dos casos, foram identificados sinais de má formação dessas proteínas. Os resultados indicaram ainda que pessoas com essas alterações tinham maior probabilidade de desenvolver doenças como Parkinson ou outras formas de demência.
O estudo apontou que as biópsias intestinais conseguiram identificar corretamente a presença de alterações associadas às doenças em mais de 80% dos casos analisados.
Outro achado relevante é que indivíduos com maior presença dessas proteínas defeituosas apresentaram menor taxa de sobrevivência ao longo do acompanhamento.
Possível caminho para diagnóstico precoce
Os pesquisadores destacam que as alterações foram detectadas até sete anos antes do início dos sintomas, o que pode representar uma janela importante para intervenção precoce.
A equipe acredita que os resultados podem contribuir para o desenvolvimento de novas estratégias de triagem, permitindo identificar pacientes de risco e acompanhar a progressão das doenças de forma mais eficaz.
A professora Jenna Gregory reforçou a necessidade de avanços nessa área:
“O estudo destaca a necessidade urgente de melhores ferramentas de detecção para doenças neurodegenerativas. Muitas dessas condições ainda carecem de opções de tratamento eficazes, tornando a detecção precoce e abordagens de triagem escaláveis especialmente importantes para melhorar os resultados dos pacientes. Esperamos que isso ajude a levar as estratégias de detecção e prevenção precoce para a vanguarda nas doenças neurodegenerativas”, concluiu.
Gazeta Brasil
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