Exportações brasileiras cresceram 6,2% apesar das taxas impostas pelo governo Trump; diversificação de mercados garantiu expansão da economia no último ano.
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O “tarifaço” implementado pelo governo dos Estados Unidos em 2025 teve um impacto limitado e pontual na economia brasileira, segundo análise divulgada nesta terça-feira, 3, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mesmo com as barreiras comerciais impostas por Washington, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrou uma expansão de 2,3% no ano passado. A coordenadora de Contas Nacionais do instituto, Rebeca Palis, destacou que o crescimento de 6,2% nas exportações foi um dos pilares do resultado, evidenciando que o setor produtivo nacional conseguiu redirecionar o fluxo de mercadorias para outros parceiros internacionais.
As barreiras alfandegárias norte-americanas, que chegaram a 50% para produtos brasileiros em agosto de 2025, foram justificadas pelo presidente Donald Trump como uma medida protecionista e, em parte, como retaliação política. No entanto, o IBGE aponta que a dependência brasileira do mercado estadunidense diminuiu, com os exportadores focando em mercados alternativos, mantendo a China como principal destino. Embora o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) tenha registrado um recuo de 6,6% nas vendas diretas para os EUA, o saldo global das exportações permaneceu positivo e robusto.
O cenário comercial começou a mudar em 20 de fevereiro de 2026, quando a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou o regime de sobretaxas agressivas de Trump. Em resposta, a Casa Branca impôs uma nova tarifa linear de 10% a diversos países, mas o Mdic avalia que o novo modelo deve poupar 46% da pauta exportadora brasileira. Para os analistas, a flexibilização jurídica nos EUA abre espaço para uma recuperação mais acelerada das trocas comerciais bilaterais, reduzindo as incertezas que marcaram o segundo semestre do ano passado.
O Brasil encerrou 2025 em uma posição de resiliência econômica, sustentada pela autonomia de mercado e pela produção diversificada. A pesquisa do IBGE reforça que, sem o tarifaço, o crescimento poderia ter sido ainda mais expressivo, mas a capacidade de adaptação dos setores de extração e transformação evitou uma retração. Agora, os governos de Brasília e Washington mantêm negociações para consolidar novos acordos comerciais que garantam previsibilidade e evitem novas escaladas tarifárias que possam comprometer o desempenho do PIB em 2026.
Por Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil - 20
da redação FM
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