Setor ganha peso na economia brasileira após safras recordes de soja e milho; indústria extrativa também registra alta expressiva de 15,3%.
© CNA/Wenderson Araujo/Trilux
A agropecuária consolidou-se como o principal motor do crescimento econômico brasileiro em 2025, registrando uma alta de 11,7% em relação ao ano anterior. De acordo com dados divulgados pelo IBGE nesta terça-feira, 3, o setor foi responsável por 32,8% de toda a expansão de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Mesmo representando apenas 7,1% da composição total da economia, o peso do agro dobrou em relevância comparado à segunda atividade de maior impacto, a indústria extrativa, evidenciando a força do campo no cenário macroeconômico.
O desempenho histórico foi sustentado principalmente pela produtividade recorde na agricultura. A safra de soja cresceu 14,6%, enquanto a de milho saltou 23,6%, representando juntas quase metade de toda a lavoura do país. A produção de laranja também surpreendeu com um avanço de 28,4%. Na pecuária, o crescimento no abate de bovinos e na produção de leite complementou os resultados positivos. Segundo Rebeca Palis, coordenadora do IBGE, o ganho de eficiência e as condições climáticas favoráveis no primeiro trimestre foram determinantes para o resultado anual.
Embora o agro tenha brilhado, o setor de serviços continua sendo a maior fatia da economia brasileira, respondendo por 69,5% do PIB. Já a indústria extrativa, apesar de ter crescido 15,3% em volume de produção, viu sua participação financeira recuar ligeiramente devido à queda nos preços internacionais do petróleo ao longo de 2025. Esse rearranjo mostra uma economia que, embora diversificada, ainda encontra nas commodities e na terra as suas principais alavancas de crescimento imediato diante de incertezas globais.
Para 2026, o Ministério da Fazenda projeta a manutenção do ritmo de crescimento em 2,3%, mas com uma mudança no protagonismo. A expectativa é de uma desaceleração no setor agropecuário devido à reversão do ciclo pecuário e menor produção de arroz e milho. Em contrapartida, o governo aposta em uma recuperação mais vigorosa da indústria de transformação e dos serviços para compensar a perda de fôlego do campo, mantendo a estabilidade do PIB no próximo ciclo anual.
Por Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil - 20
da redação FM
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