FRAUDE PREVIDENCIÁRIA
Investigação aponta esquema de descontos ilegais em benefícios previdenciários e leva à saída de dirigente da empresa estatal de dados
A Polícia Federal deflagrou uma nova fase de investigações sobre o esquema de fraudes em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), cumprindo mandados judiciais contra suspeitos de integrar uma organização criminosa responsável por descontos indevidos em aposentadorias e pensões.
A ofensiva ocorre com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro André Mendonça.
As medidas incluem mandados de busca e apreensão, além de ações cautelares contra investigados apontados como integrantes do esquema.
Entre as decisões, foi determinado o afastamento de um diretor da Dataprev, empresa pública responsável pelo processamento de dados da Previdência, suspeito de ligação com as irregularidades apuradas.
Segundo a investigação, o grupo teria estruturado um sistema de fraudes por meio da inclusão indevida de aposentados e pensionistas em associações, permitindo descontos automáticos diretamente nos benefícios, sem autorização dos segurados.
A maior parte das vítimas é composta por idosos, considerados mais vulneráveis.
A Polícia Federal aponta que a organização atuava de forma coordenada, com divisão de tarefas e uso de entidades de fachada para operacionalizar os desvios e ocultar a origem dos recursos.
Há indícios de lavagem de dinheiro, corrupção e falsidade ideológica, além do uso de “laranjas” para movimentação financeira.
As apurações também indicam que servidores públicos e dirigentes de órgãos ligados ao sistema previdenciário teriam facilitado o funcionamento do esquema.
Em decisões recentes, além do afastamento de cargos, a Justiça autorizou prisões preventivas de investigados considerados peças-chave para garantir o andamento das investigações e evitar interferências.
Esse desdobramento faz parte de uma série de operações iniciadas após o aumento expressivo de denúncias de descontos irregulares em benefícios do INSS.
Estimativas apontam que o prejuízo pode alcançar bilhões de reais, afetando milhões de beneficiários em todo o país.
A investigação segue em andamento, com análise de dados financeiros, quebras de sigilo e rastreamento de valores, enquanto autoridades buscam responsabilizar os envolvidos e recuperar recursos desviados.
DP
Postar um comentário