Preços registram alta histórica nesta segunda-feira (9), com o barril do Brent atingindo US$ 108,20 após bloqueios e ataques a instalações petrolíferas.
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Os preços internacionais do petróleo operam em forte alta nesta segunda-feira (9), impulsionados pela expansão do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Os contratos futuros do petróleo Brent saltaram 16,7%, chegando a US$ 108,20 por barril — o maior aumento percentual em um único dia já registrado. Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI) subiu 15,7%, sendo negociado a US$ 105,13. A crise centraliza-se no Estreito de Ormuz, passagem vital por onde circula 20% do abastecimento global, que enfrenta interrupções severas no tráfego de navios-tanque.
A vulnerabilidade do mercado aumentou com a redução da oferta por grandes produtores como Iraque, Kuwait e Catar, que cortaram a produção devido ao bloqueio das remessas marítimas. Especialistas alertam que a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos também podem ser forçados a paralisar a extração em breve por falta de capacidade de armazenamento. O cenário de insegurança foi agravado por ataques diretos: o Bahrein declarou “força maior” em sua refinaria após um bombardeio, enquanto a Arábia Saudita interceptou drones dirigidos ao campo petrolífero de Shaybah.
No campo político, a nomeação de Mojtaba Khamenei como sucessor do líder supremo do Irã sinaliza a manutenção da linha dura em Teerã, dificultando as expectativas de uma resolução diplomática rápida. Analistas da Rakuten Securities preveem que o WTI pode alcançar o patamar de US$ 130 por barril em curto prazo, caso o fechamento do Estreito de Ormuz e as hostilidades contra infraestruturas de outras nações produtoras persistam.
Para tentar conter a disparada e evitar um colapso econômico global, ministros das Finanças do G7 e a Agência Internacional de Energia (AIE) discutem a liberação conjunta de reservas estratégicas de emergência. A Saudi Aramco também sinalizou a intenção de oferecer fornecimento imediato por meio de licitações, o que ajudou a tirar parte do fôlego da alta no início desta manhã. Contudo, o mercado permanece em alerta máximo diante da volatilidade extrema e do risco real de desabastecimento em larga escala.
Por Yuka Obayashi e Sudarshan Varadhan - Repórteres da Reuters - 20
da redação FM
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