Papa Leão 14 afirma que Deus rejeita orações de líderes que fazem guerra

Papa Leão 14 afirma que Deus rejeita orações de líderes que fazem guerra

 Em celebração de Domingo de Ramos, pontífice critica uso de justificativas religiosas para conflitos; declarações ocorrem em meio à escalada da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.

                                                                   © Reuters/Francesco Fotia/proibida reprodução


O Papa Leão 14 proferiu, neste domingo (29), uma das críticas mais contundentes de seu pontificado contra a atual guerra no Oriente Médio. Diante de dezenas de milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro, o líder da Igreja Católica afirmou que Deus não ouve as preces daqueles que iniciam conflitos e têm “as mãos cheias de sangue”. A declaração marca o início da Semana Santa para 1,4 bilhão de católicos e ocorre no momento em que o confronto com o Irã completa seu segundo mês, com impactos severos sobre as populações civis da região.

O pontífice estadunidense enfatizou que a figura de Jesus, o “Rei da Paz”, é incompatível com a violência armada, rebatendo discursos de autoridades que utilizam terminologia cristã para legitimar ações militares. Leão 14 citou passagens bíblicas para reforçar que a multiplicação de orações não tem efeito quando acompanhada de atos de guerra. Sem citar nomes específicos, o Papa dirigiu sua mensagem ao cenário global, onde líderes do Pentágono e de Israel têm invocado valores religiosos para sustentar a ofensiva iniciada em 28 de fevereiro.

Apelo por cessar-fogo e sofrimento no Oriente Médio

Durante a homilia, o Papa lembrou o episódio bíblico em que Jesus repreende um seguidor por usar a espada, destacando que o caminho cristão deve ser o da não violência. Ele lamentou profundamente a situação dos cristãos e de outros grupos no Oriente Médio, que correm o risco de não conseguir celebrar a Páscoa devido às “consequências de um conflito atroz”. O Vaticano tem mantido uma pressão diplomática constante por um cessar-fogo imediato, posicionando-se contra a retórica de “ação violenta e avassaladora” adotada por alguns setores militares.

As palavras de Leão 14 ecoam em um momento de extrema polarização religiosa e política. Em Porto Velho, fiéis que acompanham as celebrações da Semana Santa nas paróquias locais repercutem o apelo papal, que busca desvincular a fé de estratégias geopolíticas. O posicionamento do Vaticano reforça a necessidade de ajuda humanitária e proteção aos civis que estão na linha de frente dos bombardeios, enquanto a comunidade internacional busca vias de diálogo no Paquistão para encerrar as hostilidades.

Por Joshua McElwee – repórter da Reuters - 20

da redação FM

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