O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo que a guerra envolvendo os EUA e Israel provocou uma mudança de regime no Irã e disse estar confiante em um possível acordo com Teerã.
“Creio que vamos chegar a um acordo com eles, estou bastante seguro… mas tivemos uma mudança de regime”, declarou o presidente a jornalistas a bordo do Air Force One, durante retorno a Washington após viagem a Miami.
Segundo Trump, a morte de diversos líderes iranianos ao longo de um mês de conflito alterou completamente a estrutura de poder no país. “Estamos lidando com pessoas muito diferentes de qualquer outro grupo anterior. É um grupo totalmente diferente. Eu consideraria isso uma mudança de regime”, afirmou.
O presidente também revelou que sua administração avalia assumir o controle da infraestrutura petrolífera iraniana e não descartou uma ação militar contra a Ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do país.
Em entrevista ao Financial Times, Trump foi direto: “O que eu mais gostaria é de tomar o petróleo do Irã”, acrescentando que críticos da estratégia “não entendem a situação”. Ele comparou a abordagem à política adotada na Venezuela após a captura de Nicolás Maduro, quando, segundo ele, os EUA passaram a controlar o setor petrolífero.
Trump reconheceu que uma eventual ocupação da Ilha de Kharg exigiria maior presença militar e envolveria riscos. “Talvez tomemos Kharg, talvez não. Temos muitas opções. Mas, se fizermos isso, teremos que permanecer lá por algum tempo”, disse, acrescentando que o Irã teria pouca capacidade de defesa na região: “Poderíamos tomar com facilidade”.
A escalada do conflito já impacta o mercado global. O petróleo tipo Brent ultrapassou US$ 116, refletindo preocupações com o abastecimento mundial após uma alta superior a 50% no último mês.
O Pentágono intensificou a presença militar no Oriente Médio. De acordo com o The Wall Street Journal, cerca de 3.500 soldados foram enviados recentemente à região, incluindo 2.200 fuzileiros navais, elevando o contingente americano para aproximadamente 10 mil militares.
O conflito também já ultrapassou as fronteiras iranianas. Um ataque com mísseis a uma base aérea na Arábia Saudita deixou militares americanos feridos e danificou uma aeronave de vigilância. No Iêmen, rebeldes Houthis lançaram um míssil contra Israel, aumentando a tensão.
Apesar do cenário, Trump afirmou que negociações indiretas com o Irã, mediadas pelo Paquistão, avançam. Ele estabeleceu o dia 6 de abril como prazo para um acordo de paz e alertou que, caso contrário, poderá autorizar ataques diretos à infraestrutura energética iraniana.
Sobre o estratégico Estreito de Ormuz, o presidente evitou detalhar um possível cessar-fogo, mas indicou que ainda há milhares de alvos militares a serem atingidos. “O acordo pode acontecer rapidamente”, disse.
Trump também afirmou que o Irã permitiu a passagem de petroleiros com bandeira paquistanesa pelo estreito como gesto diplomático. Segundo ele, a negociação envolveu o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf.
O presidente ainda mencionou mudanças na liderança iraniana após mortes de figuras importantes, incluindo o líder supremo Ali Khamenei, e indicou incertezas sobre o paradeiro de Mojtaba Khomeini.
Paralelamente, Trump comentou a situação em Cuba, prevendo a queda do regime e afirmando que os EUA estariam prontos para atuar no país. Ele também minimizou a chegada de um navio petroleiro russo à ilha.
Segundo o Pentágono, mais de 11 mil alvos já foram atingidos no primeiro mês de guerra, incluindo bases de mísseis, fábricas de drones e embarcações militares iranianas. Os EUA mantêm aberta a possibilidade de uma ofensiva terrestre, enquanto o Irã ameaça intensificar o controle sobre o Estreito de Ormuz.
Trump reforçou que pretende priorizar a via diplomática até o prazo de 6 de abril, mas não descartou novas ações militares caso não haja acordo.
(Com informações de Financial Times, The Wall Street Journal e agências internacionais)
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