Guarda Revolucionária do Irã rebate Trump e ameaça bloquear exportação total de petróleo

Guarda Revolucionária do Irã rebate Trump e ameaça bloquear exportação total de petróleo

 Teerã afirma que determinará o desfecho do conflito e intensificará ataques com mísseis; mercado global de energia reage com forte volatilidade.

                                                                                    © Frame/Reuters/Proibido reprodução


                     A Guarda Revolucionária do Irã elevou o tom das ameaças nesta terça-feira (10), declarando que será a responsável por “determinar o fim da guerra” e que não permitirá a exportação de “um único litro de petróleo” da região caso as ofensivas de Estados Unidos e Israel persistam. O comunicado oficial, divulgado pela mídia estatal de Teerã, surge como uma resposta direta às previsões do presidente norte-americano, Donald Trump, de que o conflito no Oriente Médio estaria próximo de uma conclusão rápida e favorável aos interesses de Washington.

A retórica de desafio coincide com a consolidação do novo líder supremo, o clérigo xiita Mojtaba Khamenei, de 56 anos. Multidões foram registradas em diversas cidades iranianas, como Isfahan, manifestando apoio ao sucessor de Ali Khamenei, morto em um ataque israelense no início das hostilidades. Enquanto partidários se reuniam, sons de explosões decorrentes de aparentes ataques aéreos foram relatados na região, evidenciando que a trégua sugerida por Trump ainda está longe da realidade no terreno.

Choque de narrativas e instabilidade econômica

O cenário de incerteza provocou uma verdadeira montanha-russa nos mercados financeiros globais. Os preços do petróleo e as bolsas de valores oscilaram bruscamente entre o otimismo das falas de Trump, que exigiu a rendição incondicional do Irã, e o temor de um bloqueio total no Estreito de Ormuz prometido pela Guarda Revolucionária. Trump afirmou a parlamentares republicanos que os EUA já “venceram em muitos aspectos”, mas evitou definir os termos exatos do que seria considerado uma vitória final na guerra.

Intensificação militar e resistência

Além das ameaças ao fornecimento de energia, os militares iranianos anunciaram que pretendem intensificar o uso de mísseis contra alvos estratégicos. A ascensão de Mojtaba Khamenei, que possui forte influência sobre as forças de segurança e o setor empresarial do país, sinaliza que o regime não está disposto a recuar perante as exigências de Washington. Com o fechamento parcial das rotas marítimas no Golfo, a comunidade internacional observa com cautela a possibilidade de uma crise de abastecimento prolongada, enquanto o Irã reafirma sua disposição para uma guerra de resistência.

Por Enas Alashray e Yomna Ehab - repórteres da Reuters - 20

da redação FM

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