Banco Central autoriza bancos a abaterem aportes do FGC no depósito compulsório

Banco Central autoriza bancos a abaterem aportes do FGC no depósito compulsório

 Medida visa liberar R$ 30 bilhões para compensar o reforço no caixa do Fundo Garantidor após a quebra do Banco Master, evitando um aperto monetário indesejado.

       © Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Banco Central (BC) aprovou, nesta terça-feira, 3, uma resolução estratégica para manter a liquidez do sistema financeiro nacional. A nova regra permite que os bancos deduzam os valores antecipados ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) do montante que são obrigados a manter depositado no próprio BC (o chamado depósito compulsório). A decisão é uma resposta direta à necessidade de recomposição do caixa do FGC, que sofreu um forte impacto após a liquidação do Banco Master e de instituições coligadas em fevereiro de 2026.

Sem essa autorização, o sistema bancário enfrentaria um “duplo desfalque”: precisariam injetar bilhões no FGC para garantir a segurança dos correntistas e, simultaneamente, manter as reservas bilionárias paradas no Banco Central. Esse cenário reduziria drasticamente a quantidade de dinheiro circulando na economia, o que, na prática, funcionaria como uma alta indireta de juros e um freio no crédito. Com a compensação, o BC estima que R$ 30 bilhões deixem de ficar retidos, equilibrando a balança financeira das instituições.

O papel do FGC e do Compulsório

Para entender a importância da medida, é preciso distinguir as duas ferramentas de estabilidade:

FGC (Privado): Protege o investidor e o correntista. Em caso de falência bancária, o fundo garante a devolução de até R$ 250 mil por CPF e por instituição (limitado a R$ 1 milhão a cada quatro anos).

Compulsório (Público): É uma ferramenta de política monetária do Banco Central. Ao exigir que os bancos guardem uma fatia dos depósitos, o BC controla a inflação e evita que os bancos fiquem sem dinheiro para saques em massa.

Flexibilidade e Impacto

A resolução permite que cada banco escolha onde aplicar o abatimento: se sobre os depósitos à vista (contas-correntes) ou depósitos a prazo (CDBs). Segundo a autoridade monetária, o compulsório será recomposto gradualmente à medida que as parcelas das contribuições ao FGC forem vencendo. O objetivo central é fortalecer a rede de proteção ao consumidor sem causar instabilidade no mercado de crédito ou elevar o custo dos empréstimos para empresas e famílias.

Por Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil - 20

da redação FM

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