Vulnerabilidade social afeta crescimento de crianças indígenas e nordestinas

Vulnerabilidade social afeta crescimento de crianças indígenas e nordestinas

 Estudo da Fiocruz Bahia revela que fatores socioeconômicos reduzem altura média de menores no Norte e Nordeste, enquanto Sul e Sudeste registram altas taxas de obesidade.

       © Fernando Frazão/Agência Brasil



Uma pesquisa liderada pelo Cidacs/Fiocruz Bahia, com a participação de especialistas em saúde, revelou que crianças indígenas e de estados do Nordeste apresentam uma média de altura inferior à preconizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O estudo, publicado na revista científica JAMA Network, associa o crescimento reduzido à vulnerabilidade social e à precariedade no acesso à saúde e alimentação.

O levantamento analisou dados de 6 milhões de crianças brasileiras de até 9 anos de idade, cruzando informações do Cadastro Único (CadÚnico) e do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan). Os pesquisadores identificaram que, embora a altura média nacional acompanhe os padrões internacionais, subgrupos específicos sofrem com condições ambientais inadequadas que comprometem o desenvolvimento físico.

Contraste regional: Sobrepeso em foco

Enquanto o Norte e o Nordeste enfrentam desafios relacionados à estatura, as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste apresentam números preocupantes de sobrepeso e obesidade infantil. Segundo o pesquisador Gustavo Velasquez, o Brasil vive uma transição nutricional onde a subnutrição clássica (baixo peso) deu lugar ao excesso de peso, impulsionado pelo consumo de alimentos ultraprocessados.

A tabela abaixo detalha a prevalência desses indicadores por região:

RegiãoSobrepesoObesidade
Norte20%7,3%
Nordeste24%10,3%
Centro-Oeste28,1%13,9%
Sudeste26,6%11,7%
Sul32,6%14,4%

Determinantes do crescimento saudável

Os especialistas reforçam que a obesidade e a baixa estatura são faces da mesma moeda da vulnerabilidade. O estudo aponta que crianças expostas a fatores de risco desde a gestação possuem maior probabilidade de enfrentar problemas metabólicos no futuro. A atenção primária à saúde e o acompanhamento pós-natal foram destacados como pilares essenciais para reverter esse cenário.

Apesar dos dados, o Brasil encontra-se em um nível intermediário de obesidade infantil quando comparado a outros países da América Latina, como Chile e Argentina. No entanto, o alerta serve para que o poder público intensifique políticas de segurança alimentar e regulação de produtos processados para garantir que o crescimento linear das crianças seja acompanhado de uma saúde nutricional adequada.

Por Alana Gandra - repórter da Agência Brasil - 20

da redação FM

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