Atriz vira magnata do agro: trocou Hollywood por negócios e transforma ideia em empresa avaliada em R$ 3,8 bilhões após IPO na Bolsa de Nova York

Atriz vira magnata do agro: trocou Hollywood por negócios e transforma ideia em empresa avaliada em R$ 3,8 bilhões após IPO na Bolsa de Nova York

 


Foto: @onceuponafarm


A estreia na Bolsa de Nova York transforma a marca de alimentos infantis orgânicos em fenômeno financeiro, destacando expansão agressiva, prejuízo estratégico e o papel decisivo da atriz no reposicionamento

A relação entre fama e empreendedorismo costuma despertar curiosidade, mas há histórias que vão além do interesse superficial. A trajetória recente da atriz Jennifer Garner com a Once Upon A Farm tornou-se um desses casos emblemáticos, combinando celebridade, estratégia e números que chamaram a atenção de Wall Street.

Atriz do agro: da tela para o mercado financeiro

A atriz, conhecida por uma carreira sólida em Hollywood, ajudou a impulsionar uma marca de alimentos infantis orgânicos até transformá-la em uma companhia avaliada em cerca de US$ 724 milhões (R$ 3,8 bilhões) após a abertura de capital na Bolsa de Nova York.

O movimento colocou a Once Upon A Farm em destaque não apenas pelo desempenho financeiro, mas também pelo simbolismo da transição de uma figura pública para o ambiente corporativo.

Sediada em Berkeley, na Califórnia, a empresa estreou na sexta-feira (6) com ações precificadas em US$ 18. A operação levantou aproximadamente US$ 200 milhões (R$ 1,1 bilhão). A resposta dos investidores veio rapidamente.

No primeiro dia de negociações, os papéis subiram perto de 17%, ultrapassando os US$ 21 e alimentando o entusiasmo em torno da marca.

Crescimento que surpreendeu analistas

Embora aberturas de capital não sejam raras, casos de forte valorização em empresas de alimentos ainda são vistos como exceção. A Once Upon A Farm chega ao mercado com indicadores robustos.

No ano fiscal encerrado em setembro de 2025, a companhia registrou receita de US$ 225 milhões (cerca de R$ 1,2 bilhão), resultado que representou crescimento superior a 40% frente ao ano anterior. Desde 2018, a taxa composta supera 60%.

Hoje, a empresa é apontada como uma das principais responsáveis pela expansão da categoria de alimentos infantis nos Estados Unidos.

Os dados indicam participação em mais de 60% do crescimento incremental do segmento e presença em mais de 35% das novas compras. Números que reforçam sua influência dentro de um mercado altamente competitivo.

Os produtos, que incluem papinhas orgânicas refrigeradas e lanches infantis, já ocupam espaço em cerca de 25 mil lojas.

Entre os varejistas estão redes de grande porte como Target, Whole Foods, Kroger, Walmart, Publix e Wegmans.

Outro dado observado pelo setor mostra que varejistas que destinam mais de 15% do espaço refrigerado infantil à marca registram aumento médio superior a 10% na receita.

O papel estratégico de Jennifer Garner

A atriz Jennifer Garner ingressou na companhia em 2017 como diretora de marca. Com o tempo, passou a ser reconhecida como cofundadora e acumulou uma participação aproximada de 7%, avaliada em cerca de US$ 64 milhões (R$ 337 milhões) após o IPO.

Sua presença ganhou peso especialmente durante o roadshow com investidores, onde atuou diretamente na comunicação da proposta da empresa.

Além da visibilidade, Garner ajudou a construir uma conexão emocional com o público. A narrativa da marca passou a enfatizar ingredientes naturais, rastreáveis e alinhados a um estilo de vida mais consciente.

Esse posicionamento contribuiu para diferenciar a empresa em um setor historicamente dominado por grandes conglomerados.

Expansão agressiva e decisões ousadas

No mesmo período em que a atriz entrou no negócio, Cassandra Curtis e Ari Raz trouxeram John Foraker para o cargo de CEO e cofundador.

Foraker detém cerca de 6% da companhia, avaliados em aproximadamente US$ 57 milhões, enquanto os fundadores originais mantêm pouco mais de 1% cada.

Uma das primeiras decisões estratégicas foi ampliar drasticamente a distribuição. Quando Foraker assumiu, a marca estava presente em apenas 350 lojas.

Em cerca de um ano, esse número saltou mais de 2.300%, atingindo aproximadamente 8.500 pontos de venda.

A aposta era considerada arriscada, já que grandes varejistas raramente oferecem segundas oportunidades. Ainda assim, cerca de 90% dessas lojas continuam vendendo os produtos.

Ao longo da última década, a empresa promoveu ajustes importantes. Reformulou embalagens com cores mais atrativas, destacou receitas sem adição de açúcar, redefiniu o público-alvo após identificar que 80% do consumo vinha de crianças maiores e modernizou sua identidade visual. Mudanças que, segundo o mercado, voltaram a impulsionar o faturamento.

Crescer primeiro, lucrar depois

Apesar da valorização expressiva, a Once Upon A Farm abriu capital operando no vermelho. O prejuízo no último exercício foi de US$ 52 milhões (R$ 274 milhões), acima das perdas de US$ 19 milhões em 2022.

O resultado reflete principalmente os custos ligados à expansão e aos investimentos em escala, incluindo taxas pagas a varejistas para assegurar espaço nas prateleiras.

Para analistas, esse cenário é recorrente em empresas de crescimento acelerado, que priorizam participação de mercado antes da rentabilidade.

Em 2021, a companhia adotou o modelo de public benefit corporation, permitindo equilibrar metas financeiras com objetivos sociais e ambientais.

A relação com produtores rurais tornou-se um dos pilares da marca. A empresa compra frutas e vegetais de agricultores certificados, seguindo padrões como o USDA Organic.

Parcerias voltadas à sustentabilidade reforçam a rastreabilidade e fortalecem o discurso de qualidade.

Esse vínculo também se conecta à história pessoal de Garner. Em 2017, ela adquiriu a fazenda onde sua mãe cresceu, em Locust Grove, Oklahoma.

A propriedade havia sido comprada por seus avós em 1936 por US$ 700. Parte dos ingredientes utilizados nas receitas vem dali, ampliando a narrativa de produção do campo ao prato.

Antes do IPO, a empresa havia captado cerca de US$ 98 milhões, incluindo uma rodada que avaliou o negócio em US$ 371 milhões. Mesmo com o avanço, os produtos estão presentes em apenas 4,8% dos lares americanos.

Agora, com capital reforçado, a companhia planeja ampliar o portfólio e desenvolver novas refeições e lanches voltados à primeira infância, mirando acompanhar as famílias em diferentes fases do consumo infantil.

Com informações de Compre Rural.

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