Autoridades americanas, europeias e israelenses indicam que uma possível intervenção militar dos Estados Unidos no Irã pode ocorrer nas próximas 24 horas, diante do agravamento das tensões no Oriente Médio. Segundo fontes diplomáticas ouvidas pelo jornal britânico Daily Mail, preparativos estariam em andamento, enquanto Washington iniciou a retirada preventiva de parte de seu pessoal de uma importante base militar na região.
A medida ocorre após alertas de Teerã a países vizinhos de que bases aéreas que abriguem forças norte-americanas poderão se tornar alvos caso o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, autorize ataques contra o território iraniano. O Irã vive atualmente a maior onda de instabilidade interna desde a Revolução Islâmica de 1979, com protestos contra o regime clerical que se intensificaram nas últimas semanas.
Um representante do governo americano afirmou ao jornal que a retirada de pessoal teve caráter preventivo, após advertências feitas por uma alta autoridade iraniana. Fontes europeias avaliam que uma ação militar dos EUA se tornou mais provável, enquanto um integrante do governo israelense disse que Trump já teria tomado a decisão de intervir, embora o momento e o alcance da operação ainda não estejam definidos.
O Catar confirmou a redução do contingente na base aérea de Al Udeid, considerada a maior instalação militar dos Estados Unidos no Oriente Médio, citando as atuais tensões regionais. Diplomatas afirmaram que parte do pessoal foi orientada a deixar o local, embora não haja sinais de uma retirada em larga escala, como ocorreu antes de um ataque iraniano com mísseis no ano passado.
A movimentação coincide com a saída do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, do país, enquanto Trump avalia os próximos passos. O presidente norte-americano tem reiterado ameaças de intervenção em apoio aos manifestantes iranianos e prometeu “ações muito fortes” caso o governo do Irã execute presos políticos. Em entrevista recente, Trump também incentivou a continuidade dos protestos, afirmando que “ajuda está a caminho”.
Autoridades iranianas acusam Estados Unidos e Israel de fomentarem os protestos, que classificam como atos de terrorismo armado. O governo do Irã afirma que mais de 2 mil pessoas morreram desde o início da repressão. Organizações independentes de direitos humanos, como a HRANA, com sede nos Estados Unidos, contabilizam ao menos 2.403 manifestantes mortos, além de 147 pessoas ligadas ao governo, elevando o total de vítimas para mais de 2.500.
O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã, Abdolrahim Mousavi, afirmou que o país “nunca enfrentou tamanha destruição”, atribuindo a crise a inimigos estrangeiros. Já o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noel Barrot, classificou o cenário como “a repressão mais violenta da história contemporânea do Irã”.
Segundo fontes iranianas, Teerã alertou países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Turquia de que bases americanas nesses territórios poderão ser atacadas caso os EUA realizem uma ofensiva. Os contatos diretos entre o chanceler iraniano Abbas Araqchi e o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, teriam sido suspensos.
Os Estados Unidos mantêm forças espalhadas pela região, incluindo a sede avançada do Comando Central no Catar e a base da Quinta Frota da Marinha no Bahrein. A circulação de informações a partir do Irã tem sido limitada por um apagão da internet imposto pelas autoridades.
Apesar da dimensão dos protestos, autoridades ocidentais avaliam que o governo iraniano não enfrenta um colapso iminente e que seu aparato de segurança segue operando. Em meio à crise, a mídia estatal iraniana tem exibido imagens de funerais e manifestações em apoio ao regime, com bandeiras e retratos do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei.
O presidente iraniano Masoud Pezeshkian afirmou que, enquanto o governo mantiver apoio popular, “os esforços dos inimigos não terão sucesso”. Paralelamente, autoridades do país intensificaram contatos diplomáticos com países da região, enquanto o Judiciário prometeu acelerar julgamentos de manifestantes presos.
Organizações de direitos humanos relatam mais de 18 mil detenções desde o início dos protestos e acompanham com preocupação casos de condenações à morte, como o do jovem Erfan Soltani, cuja execução ainda não foi confirmada até a última atualização.
Gazeta Brasil
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