Conheça o Nipah, vírus altamente letal que deixou a Ásia em alerta

Conheça o Nipah, vírus altamente letal que deixou a Ásia em alerta

 Vírus descoberto há quase 30 anos tem um índice de mortalidade elevado e capacidade de transmissão entre humanos


Vírus Nipah Foto: CDC/ Brian W.J. Mahy

Descoberto em 1999, um patógeno tem voltado ao centro das preocupações sanitárias nas últimas semanas após novos casos registrados na Índia. É o Nipah, considerado um dos vírus de atenção prioritária por parte da Organização Mundial da Saúde (OMS) por combinar alta taxa de letalidade, capacidade de transmissão entre humanos e ausência de vacina ou tratamento específico.

TRANSMISSÃO
O Nipah é um vírus zoonótico, ou seja, pode ser transmitido de animais para humanos. Seus principais reservatórios são morcegos frugívoros – que tem frutas como dieta -, especialmente do gênero Pteropus, mas a transmissão também pode ocorrer por meio de porcos, alimentos contaminados e contato direto com pessoas infectadas.

Leia também1 Surto de Nipah faz protocolo da Covid-19 voltar em aeroportos
2 Número de mortos em protestos no Irã passa de 6 mil pessoas
3 Caso Master: Novo aciona PGR e PF contra atuação de Dias Toffoli
4 No governo Lula, gastos com viagens a serviço somam R$ 7 bi
5 O que se sabe sobre a morte do cão comunitário em SC

A infecção pode acontecer de várias formas. Em surtos anteriores, entre as fontes prováveis estava o consumo de frutas ou produtos derivados, como suco de tâmara cru, que estavam contaminados por saliva ou urina de morcegos infectados. Também há registros de transmissão entre humanos, sobretudo entre familiares, cuidadores e profissionais de saúde que tiveram contato próximo com doentes.

SINTOMAS
A infecção pelo vírus Nipah pode se manifestar de maneira variável. Em alguns casos, os pacientes permanecem assintomáticos. Em outros, a doença evolui para quadros graves. Os primeiros sintomas costumam incluir febre, dor de cabeça, dores musculares, vômitos e dor de garganta.

Com a progressão da infecção, podem surgir tontura, sonolência, alteração da consciência e sinais neurológicos que indicam um quadro de encefalite aguda. A pneumonia atípica e problemas respiratórios graves, incluindo síndrome do desconforto respiratório agudo, também são sinais de evolução da doença.

O período de incubação geralmente varia de quatro a 14 dias, mas já houve registros de sintomas surgindo até 45 dias após a infecção. A taxa de mortalidade é elevada: estudos indicam que entre 40% e 75% dos infectados não sobrevivem, dependendo do surto e da capacidade de resposta do sistema de saúde local.

TRATAMENTO
Atualmente, não há vacina nem tratamento direto para o vírus Nipah. O cuidado é exclusivamente de suporte, voltado para aliviar sintomas e tratar complicações respiratórias e neurológicas. Por esse motivo, a OMS incluiu o Nipah na lista de doenças prioritárias para pesquisa e desenvolvimento, ao lado de vírus como Ebola, Zika e o causador da Covid-19.

SURTOS ANTERIORES
O primeiro grande surto ocorreu na Malásia, no fim da década de 90, resultando em mais de 100 mortes e no abate de cerca de um milhão de porcos para conter a disseminação do vírus. Casos também foram registrados em Singapura, ligados a trabalhadores que tiveram contato com animais infectados.

Desde 2001, Bangladesh se tornou o país mais afetado, com surtos quase anuais e mais de 100 mortes acumuladas. A Índia também registra episódios recorrentes, principalmente no estado de Kerala, onde surtos em anos anteriores foram controlados com testagem em massa, rastreamento de contatos e isolamento rigoroso.

Além desses países, a OMS aponta risco potencial em regiões como Camboja, Indonésia, Filipinas, Madagascar, Gana e Tailândia, onde já foram encontradas evidências do vírus em populações de morcegos.

O tema voltou à pauta após a confirmação de novos casos na Índia, no estado de Bengala Ocidental. Cerca de 110 pessoas foram colocadas em quarentena após dois profissionais de saúde contraírem o vírus no início de janeiro, depois de contato com pacientes infectados.


Pleno News

Post a Comment

Postagem Anterior Próxima Postagem