O relatório mais recente da ONU (PNUD), divulgado em maio de 2025, revelou um dado difícil de ignorar: o Brasil ocupa o 132.º lugar entre 193 países no ranking mundial de escolaridade.
A média de anos de estudo da população adulta é de apenas 8,4 anos, segundo o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) — um número que fala por si e desmonta qualquer discurso triunfalista sobre os supostos avanços na educação brasileira.
Nos países que lideram o ranking, o cenário é outro.
Alemanha, Suíça, Estados Unidos, Islândia e Canadá registram entre 13,9 e 14,3 anos de estudo, quase o dobro do Brasil.
Mesmo nações que há poucas décadas enfrentavam crises econômicas e transições políticas — como Lituânia, Estônia, Polônia e Letônia — já superaram os 13 anos de escolaridade média.
Na América do Sul, o contraste é igualmente revelador: Chile (10,8 anos), Argentina (10,7), Uruguai (9,9) e Peru (9,1) estão todos à frente do Brasil. Enquanto vizinhos avançam, nós seguimos presos a uma média que mal ultrapassa o ensino fundamental completo.
Esses números têm uma dimensão política inescapável.
Desde 2002, o Partido dos Trabalhadores (PT) governou o Brasil em 17 dos últimos 23 anos, elegendo cinco presidentes no período.
Durante todo esse tempo, o partido se apresentou como o grande defensor da educação pública, alardeando programas, slogans e promessas de inclusão.
Mas o retrato atual — construído com base em dados oficiais das Nações Unidas — mostra um país que não conseguiu transformar investimento em resultado, nem política em aprendizagem real.
A verdade é que o Brasil investe mal, e não pouco.
Recursos existem, mas se perdem em burocracias, desperdícios e prioridades equivocadas.
Falta continuidade, gestão e, sobretudo, foco em qualidade.
Nosso sistema educacional ainda forma gerações incapazes de competir globalmente, de compreender textos complexos ou de resolver problemas básicos de matemática — sintomas de um modelo que privilegia a ideologia em detrimento do conhecimento.
Enquanto outros países consolidam sociedades do conhecimento, o Brasil continua apostando em narrativas que disfarçam o atraso.
Os números da ONU não são opinião: são o espelho de um fracasso coletivo — de governos que preferiram o populismo ao planejamento, e de uma sociedade que se acostumou a exigir pouco de si mesma.
Se quisermos mudar o futuro, o primeiro passo é reconhecer o fracasso das políticas que nos mantêm presos ao passado.
Educação não é bandeira partidária.
É o único caminho possível para libertar um país da ignorância, da desigualdade e da manipulação — e recolocá-lo entre as nações que realmente apostam no saber.


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