Ministro Padilha critica negacionismo em evento da Opas após restrição de visto nos EUA

Ministro Padilha critica negacionismo em evento da Opas após restrição de visto nos EUA

 Padilha critica negacionismo em saúde e as restrições impostas ao seu visto pelos EUA em discurso por vídeo na Opas, defendendo a ciência, a cooperação internacional e o aumento da cobertura vacinal no Brasil.

      David Spitz - OPAS/OMS



O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, utilizou sua participação por videoconferência no 62º Conselho Diretor da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), em Washington, nesta segunda-feira (29), para criticar duas questões: as restrições ao seu visto impostas pelo governo dos Estados Unidos e o que classificou como políticas “negacionistas” na área da saúde.

Impedido de participar presencialmente do evento que reúne autoridades das Américas, Padilha afirmou que a decisão dos EUA não restringirá a circulação das ideias brasileiras. “Não precisamos de restrição a autoridades, nem bloqueios a países. O que precisamos é restringir as doenças, como o sarampo que se espalha a partir da América do Norte”, declarou.

Ataques ao negacionismo de líderes

Em seu discurso, o ministro brasileiro atacou o papel da desinformação e de líderes governamentais na crise sanitária. Ele pontuou que o negacionismo, quando impulsionado por líderes de governo, como visto na pandemia de covid-19, leva à perda de milhares de vidas e da unidade entre as nações.

Nesse contexto, Padilha critica negacionismo e defendeu a necessidade urgente de mais recursos para pesquisas. “Precisamos agir diante dos cortes em programas de vacinação e de pesquisas, um retrocesso para a ciência, uma ameaça à vida”, disse ele, que já havia criticado o governo de Donald Trump por restringir recursos para pesquisa de vacinas no mês anterior.

O ministro também considerou inadmissível que existam posições que não consideram os impactos das mudanças climáticas sobre a vida e a saúde. Ele pediu a participação das autoridades internacionais na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP30, que ocorrerá em novembro, em Belém, para discutir o tema.

Defesa das vacinas e do SUS

Padilha garantiu que, apesar das restrições, o Brasil irá construir pontes e defender a ciência. Ele destacou que o país retomou o aumento da cobertura vacinal, revertendo um período de seis anos de quedas consecutivas.

O ministro ainda aproveitou para convocar pesquisadores e empresas de vacina de RNA mensageiro para atuarem no Brasil, afirmando que “as portas do Brasil estão abertas à ciência e à inovação”.

No âmbito interno, Padilha destacou duas políticas públicas:

Mais Médicos: O programa foi duplicado, garantindo presença de profissionais na atenção primária, especialmente em regiões mais pobres.

Agora Tem Especialistas: Iniciativa para reduzir as filas do Sistema Único de Saúde (SUS) em consultas, exames e cirurgias.

O Brasil também entregou à Opas um relatório sobre a redução da transmissão vertical do HIV e a diminuição em 75% do número de mortes causadas pela dengue neste ano.


Por Luiz Claudio Ferreira - Repórter da Agência Brasil - 20

da redação FM

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