Pele de pirarucu vira item de luxo, mas pescadores da Amazônia não lucram

Pele de pirarucu vira item de luxo, mas pescadores da Amazônia não lucram

 Apesar do modelo de manejo sustentável ter ajudado a preservar o pirarucu, comunidades que atuam na pesca reclamam de não serem remuneradas de forma justa pela venda da pele do peixe.

         AFP via Getty Images/BBC



A pele do pirarucu, peixe gigante da Amazônia que já esteve ameaçado de extinção, se tornou uma cobiçada matéria-prima para a indústria da moda de luxo, com bolsas e acessórios que chegam a custar milhares de reais. No entanto, representantes das comunidades ribeirinhas e pescadores que atuam no manejo sustentável do peixe reclamam que a maior parte dos lucros não chega até eles.

O manejo do pirarucu é visto como um modelo de sucesso de conservação ambiental, pois a pesca é rigorosamente controlada para garantir a reprodução da espécie, gerando renda para as comunidades que vigiam os lagos contra a pesca ilegal. Apesar dos benefícios ambientais, o pescador Pedro Canízio, da Federação dos Manejadores de Pirarucu de Mamirauá (Femapam), afirma que o valor pago pelo peixe inteiro, R$ 11 o quilo, é muito baixo comparado ao preço final dos produtos.

A maior parte do valor agregado ao produto ocorre na etapa de processamento da pele, que é complexa e exige tecnologia para ser transformada em couro. A Nova Kaeru, empresa que domina o mercado do couro de pirarucu, diz que investe na Amazônia e que a logística de transporte e processamento é cara, mas que o preço pago pela pele é superior ao da carne, o que representa um ganho real para as comunidades.

Apesar disso, a falta de concorrência e a demora nos pagamentos são pontos de críticas. A comunidade de Carauari, por exemplo, tenta criar sua própria marca para processar o couro, mas esbarra na falta de recursos. A fiscalização também é um desafio, e o Ibama admite que o contrabando de pirarucu ainda é uma realidade.

Por BBC - 20

da redaão FM

Post a Comment

Postagem Anterior Próxima Postagem