Lula veta aumento do número de Deputados Federais na Câmara

Lula veta aumento do número de Deputados Federais na Câmara

 Presidente Luiz Inácio Lula da Silva justifica veto por contrariedade ao interesse público e inconstitucionalidade, mantendo o número de 513 parlamentares.


        Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou integralmente o projeto de lei que propunha o aumento do número de deputados federais de 513 para 531. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta quinta-feira (17).

Razões do Veto Presidencial

Em sua mensagem ao Congresso, Lula justificou o veto com base em contrariedade ao interesse público e inconstitucionalidade. Os ministérios da Justiça e Segurança Pública, da Fazenda, do Planejamento e Orçamento, e a Advocacia-Geral da União manifestaram-se contra a medida, citando a Lei de Responsabilidade Fiscal e outros dispositivos legais.

A Presidência argumentou que a ampliação do número de parlamentares acarretaria um aumento de despesas obrigatórias sem a devida estimativa de impacto orçamentário, previsão de fonte ou medidas de compensação. Isso oneria não apenas a União, mas também os entes federativos. A mensagem também apontou que o projeto estaria em desacordo com a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2025 ao prever a atualização monetária de despesa pública.

Contexto da Proposta

O projeto vetado foi aprovado pelos parlamentares no final de junho, em resposta a uma exigência do Supremo Tribunal Federal (STF). O STF havia julgado uma ação do governo do Pará que apontava omissão do Legislativo em atualizar o número de deputados conforme a mudança populacional, que é revisada pelo censo demográfico a cada dez anos. A última atualização havia ocorrido em 1993.

A Constituição Federal estabelece que nenhuma unidade da Federação pode ter menos de oito ou mais de 70 deputados. Na ocasião, os parlamentares optaram por não reduzir o número de cadeiras de estados que apresentaram diminuição populacional, como Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Sul, por exemplo, o que aconteceria se a regra proporcional fosse seguida. Em vez disso, o projeto aprovado previa o aumento de vagas para estados com crescimento populacional.

Custos e Próximos Passos

O projeto vetado poderia gerar um custo anual de R$ 65 milhões para a União com novas estruturas e emendas parlamentares. Além disso, o aumento de deputados federais implicaria alterações na quantidade de deputados estaduais, de acordo com a previsão constitucional (o triplo da representação do estado na Câmara, com trava de 36), resultando em um impacto de R$ 2 milhões a R$ 22 milhões anuais nos orçamentos estaduais.

Com o veto do presidente Lula, o Congresso Nacional terá um prazo de 30 dias para analisar a medida, podendo manter ou derrubar o veto. Caso o veto seja mantido, a redistribuição das vagas será realizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 1º de outubro, conforme a determinação do STF.

Por Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil - 20

da redação FM

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