justiça de rondônia nega recurso após advogado usar inteligência artificial com dados falsos em petição

justiça de rondônia nega recurso após advogado usar inteligência artificial com dados falsos em petição

 

       Tribunal de Justiça de Rondônia — Foto: Mateus Santos/g1Divulgação


Porto Velho, Rondônia - O Tribunal de Justiça de Rondônia (TJ-RO) negou um recurso de apelação apresentado por um advogado que, segundo a corte, utilizou ferramentas de inteligência artificial (IA) para redigir uma petição com informações falsas, entre elas jurisprudências inexistentes, nomes de magistrados fictícios e números de processos que não constam nos registros oficiais. A decisão foi proferida pela 2ª Câmara Criminal, que manteve a condenação do réu em 6 anos, 2 meses e 20 dias de prisão, a ser cumprida em regime semiaberto, por crime de roubo.

O julgamento ocorreu em sessão eletrônica realizada entre os dias 7 e 11 de julho de 2025, e voltou a ser pauta nas sessões subsequentes da 1ª e 2ª Câmaras Criminais devido à gravidade da conduta processual atribuída ao defensor do réu.

uso indevido de inteligência artificial

De acordo com o desembargador Francisco Borges, relator do processo, o advogado apresentou jurisprudências inexistentes, possivelmente geradas por meio de plataformas de IA, sem qualquer checagem prévia da veracidade das informações. A utilização desse tipo de conteúdo foi considerada uma violação do dever de diligência profissional, prevista no Estatuto da Advocacia.

Segundo o TJ-RO, a atitude comprometeu a qualidade e a seriedade da própria defesa, podendo ter prejudicado substancialmente o direito do réu a um processo justo. O tribunal destacou que, embora ferramentas tecnológicas possam ser úteis no exercício da advocacia, o uso irresponsável e sem verificação adequada pode configurar infração ética grave.

consequências e encaminhamentos

Diante da repercussão do caso, o Tribunal de Justiça encaminhou os autos à Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Rondônia (OAB-RO) para análise da conduta do profissional e possível abertura de processo disciplinar. A entidade deverá avaliar se houve violação ao Código de Ética e Disciplina da Advocacia, podendo aplicar penalidades administrativas, caso confirmada a infração.

A decisão do tribunal reforça a responsabilidade dos operadores do direito quanto à veracidade das informações apresentadas em peças processuais, mesmo quando elaboradas com o auxílio de ferramentas tecnológicas, como sistemas de inteligência artificial.

jurisprudência e dever ético

A inserção de elementos fictícios em petições pode configurar não apenas infração ética, mas também responsabilidade civil e criminal, especialmente se houver dolo ou má-fé na tentativa de induzir o juízo ao erro. O caso serve como alerta à advocacia brasileira, especialmente diante do crescente uso de IA nos ambientes jurídicos.

O TJ-RO reafirmou que o exercício da defesa técnica exige não apenas domínio técnico, mas compromisso com a verdade dos fatos e dos fundamentos jurídicos apresentados. O uso de recursos automatizados não isenta o profissional de revisar e confirmar as fontes utilizadas, sob pena de comprometer a própria credibilidade do sistema de justiça.


da redação FM

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