Durante entrevista ao podcast Resenha Política, ex-governador afirma que investigação foi construída com depoimentos forjados, datas manipuladas e foco político As informações são do site Rondônia Dinâmica.
Porto Velho, RO – “O inquérito começa com fraude na capa e termina com fraude no relatório final dos delegados.” Com essa afirmação, o ex-governador de Rondônia Daniel Pereira abriu uma longa sequência de críticas à Operação Pau Oco, durante entrevista ao podcast Resenha Política, apresentado pelo jornalista Robson Oliveira. O episódio foi veiculado na TV Rema e retransmitido pelo site Rondônia Dinâmica. As informações são do site Rondônia Dinâmica.
Segundo Daniel Pereira, a operação policial de 2018, que resultou na prisão de aliados e ex-secretários de seu governo, foi dirigida com o objetivo de envolvê-lo diretamente e gerar capital político para um dos delegados responsáveis, identificado como ex-candidato a prefeito e atual gestor do Instituto de Previdência de Porto Velho. “Ele queria notoriedade”, disse. “Ele mesmo afirma isso em áudios divulgados pela imprensa. Queria ser político.”
Pereira afirmou ainda que houve tentativa de delação forçada por parte dos investigadores. “Disseram ao Oswaldo [Pitaluga]: ‘Se você entregar o Daniel, mando te soltar agora’. Ele respondeu que ficaria preso o tempo que fosse, porque não tinha o que entregar.”
Entre os principais argumentos de sua defesa, Daniel aponta que o inquérito foi aberto em 15 de junho de 2018 com base em um relatório de inteligência que só foi assinado três dias depois. “Não tem como instaurar um inquérito com base num documento que ainda não existia”, comentou. Segundo ele, a fraude é demonstrável por metadados do próprio relatório, que trazem registros de acesso datados de 18 de junho.
Outro ponto abordado na entrevista envolve depoimentos incluídos no processo como se tivessem sido prestados em Buritis. “Eu fui pessoalmente à delegacia de Buritis requisitar os registros. Esses depoimentos nunca existiram lá”, afirmou. O ex-governador também contestou a legalidade de interceptações telefônicas, alegando que não foram cumpridos os requisitos da legislação específica, como demonstração da ineficácia de outros meios investigativos. As informações são do site Rondônia Dinâmica.
Ele diz ainda que as acusações contra ele se baseiam em diálogos entre terceiros. “Se o próprio inquérito descreve 'cheque do Daniel Pereira', isso é um indicativo claro de que eu era investigado, e nesse caso, o inquérito deveria ter sido remetido ao Superior Tribunal de Justiça”, defendeu. “A tese deles foi dizer que só começaram a me investigar em 2019, quando eu já não era mais governador, mas os fatos são todos de 2018.”
As informações são do site Rondônia Dinâmica.
De acordo com Daniel, há omissão deliberada na investigação. “O inquérito de número 035, que segue aberto até hoje, tem todas as informações para desmantelar uma estrutura de crime ambiental no setor madeireiro. E nunca apuraram. O foco era outro.”
Sobre as acusações de envolvimento em organização criminosa, Pereira foi categórico: “Eu sou acusado de comandar uma organização, mas não apontam um centavo de vantagem indevida. Dizem que eu mandei alguém na Sedan retirar processos, mas não apontam qual processo, nem o suposto benefício. Isso não sustenta uma denúncia”.
Ele também lembrou da tentativa frustrada de declínio de competência. Em decisão das Câmaras Reunidas do TJ-RO, três desembargadores chegaram a votar a favor de remeter o caso ao STJ, mas o entendimento foi revertido após pedido de vista. “Não tenho nenhum interesse em prescrição. Quero uma sentença de absolvição, que ateste minha inocência. A minha moral é o que me sustenta na política”, afirmou.
A entrevista seguiu com referências pessoais, como a emoção ao lembrar da prisão de Pitaluga, a quem Daniel chamou de “quase um irmão”, e a indignação com a prisão de secretários que, segundo ele, agiram corretamente ao bloquear a empresa alvo da investigação e aplicar multas de R$ 3 milhões.
Ao final, o ex-governador citou passagem bíblica do livro do Apocalipse para expressar sua esperança de absolvição: “Quero a minha pedra branca. Não apenas por mim, mas pelos que foram injustamente acusados. Não aceito que meu neto leia um dia que o avô dele foi condenado sem ter culpa.”
No início da gravação, o apresentador Robson Oliveira fez um retrospecto da carreira de Daniel Pereira, lembrando que ele foi vereador em Cerejeiras, deputado estadual, vice-governador de Confúcio Moura e, posteriormente, chefe do Executivo estadual. Robson também questionou a decisão do entrevistado de não disputar a reeleição, tendo apoio popular e pesquisas favoráveis. Daniel respondeu que não teve tempo hábil para se preparar, pois só foi informado da saída de Confúcio dois meses antes do prazo de desincompatibilização. As informações são do site Rondônia Dinâmica.
Por Rondoniadinamica As informações são do site Rondônia Dinâmica.
Texto originalmente publicado em https://www.rondoniadinamica.com/noticias/2025/07/daniel-pereira-diz-que-operacao-pau-oco-foi-montada-para-atingi-lo-e-questiona-inquerito-fraude-na-capa-e-no-relatorio-final,221676.shtml. A reprodução é permitida desde que citada a fonte e incluído o link para o artigo original. Respeite os direitos autorais e compartilhe com responsabilidade.