Lei Magnitsky: o que é a lei nascida no governo Obama que os EUA usam para aplicar sanções a estrangeiros

Lei Magnitsky: o que é a lei nascida no governo Obama que os EUA usam para aplicar sanções a estrangeiros

SANÇÕES

 A possibilidade de o ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF) ser alvo de sanções nos Estados Unidos fez com que o Ministério das Relações Exteriores envie ao Supremo informações sobre conversas entre autoridades brasileiras e americanas



A possibilidade de o ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF) ser alvo de sanções nos Estados Unidos fez com que o Ministério das Relações Exteriores envie ao Supremo informações sobre conversas entre autoridades brasileiras e americanas.

Na semana passada, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que havia a possibilidade de Moraes sofrer sanções nos EUA. Para aplicação desta medida, os EUA usa como base a Lei Magnitsky, sancionada pelo ex-presidente Barack Obama, em 2012.

Trata-se de um mecanismo legal, criado com o apoio de republicanos e democratas, com duas frentes: a econômica e a voltada para os direitos humanos.

No episódio "A ameaça de sanção a Alexandre de Moraes nos EUA" do podcast O Assunto, o professor Guilherme Casarões explicou o que é a lei norte-americana que sanciona autoridades estrangeiras.

A origem da Lei Magnitsky

A lei foi aprovada pelo Congresso dos EUA e sancionada pelo então presidente democrata Barack Obama em 2012;

Em 2016, ainda no governo Obama, ela se tornou uma lei global;

Foi nomeada em homenagem a Sergei Magnitsky, um advogado russo que foi preso e alegadamente torturado numa prisão russa por investigar crimes ligados à lavagem de dinheiro e corrupção na Rússia. Magnitsky morreu na prisão. A morte dele motivou legisladores americanos a sancionar e punir pessoas envolvidas nessa investigação e ligadas à morte dele;

Inicialmente, a lei era para sancionar oligarcas russos e pessoas ligadas ao governo russo que tivessem envolvimento neste caso;

Em 2016, houve o entendimento de que a lei poderia se estender a outros casos de corrupção, vínculos com crime organizado e violações mais amplas dos direitos humanos. Foi quando a lei se tornou global;

Desde então, dezenas de pessoas foram incluídas sob esta lei como potenciais violadores de direitos humanos, criminosos ou corruptos, recebendo sanções dos Estados Unidos.

O que a lei prevê

As sanções propostas pela Lei Magnitsky são descritas como bastante pesadas, e alguns chegam a chamá-la de "pena de morte financeira";

Caso seja aplicada, a pessoa não pode ter cartão de crédito de nenhuma das grandes bandeiras que operam nos Estados Unidos;

Quem sofre a sanção não pode ter conta em banco nos Estados Unidos. Caso o banco permita, ele próprio não poderá operar nos EUA e pode ser alvo de sanções secundárias;

Instituições financeiras do mundo todo podem ser obrigadas a congelar ativos, fechar contas e cancelar cartões de crédito da pessoa sancionada;

Além disso, a pessoa pode ser impedida de ir para os Estados Unidos ou ter seu visto cancelado;

A aplicação da lei também acarreta uma questão reputacional, pois a pessoa entraria para uma lista de sancionados, que inclui violadores sistemáticos, contumazes e brutais de direitos humanos.

Contexto no Brasil

A administração americana diz estudar a possibilidade de adotar a Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, confirmou que "isso está sob análise" e "há uma grande possibilidade de que isso aconteça";

A tentativa de enquadrar o ministro Alexandre de Moraes nesta lei tem precedentes nos Estados Unidos, mas representa uma fase muito nova no relacionamento entre o atual governo Trump e a política brasileira. É a primeira vez que se fala especificamente de sanções contra uma figura com poder de autoridade no Brasil;

A tentativa no caso do Brasil é alegar que Alexandre de Moraes, ao tomar decisões que impactam o funcionamento de redes sociais (muitas sediadas nos Estados Unidos), estaria cometendo uma violação sistemática de direitos humanos, principalmente na dimensão da liberdade de expressão. Isso é considerado, pelo governo Trump, uma extrapolação;

No episódio de O Assunto, o professor da FGV Guilherme Casarões, explica que aplicar sanções a um ministro da Suprema Corte de outro país levanta questões delicadas de soberania, pois refletiria decisões tomadas coletivamente por uma instituição máxima do judiciário.

Por G1

Postar um comentário (0)
Postagem Anterior Próxima Postagem
Aos leitores, ler com atenção! Este site acompanha casos Policiais. Todos os conduzidos são tratados como suspeitos e é presumida sua inocência até que se prove o contrário. Recomenda - se ao leitor critério ao analisar as reportagens.