Suposta espionagem ilegal a deputados causa mal-estar na Assembleia Legislativa

Suposta espionagem ilegal a deputados causa mal-estar na Assembleia Legislativa

 

Áudio atribuído a ex-chefe de gabinete do deputado Rodrigo Camargo dá aula (de crime) para procuradores federais da Lava Jato



Quando o delegado Julio Cesar era chefe de gabinete teriam sido encontrados grampos no CPA e na Assembleia Legislativa


Fontes do blog disseram que o vazamento de áudios que envolveriam o ex-chefe de gabinete do deputado Rodrigo Camargo estaria causando um profundo mal-estar na Assembleia Legislativa, devido aos fortes rumores de que deputados poderiam ter sido investigados ilegalmente. Muitos parlamentares estariam incomodados com a suposta investigação ilegal. Nos corredores, há rumores de que já há deputado querendo uma apuração mais apurada dos acontecimentos.

O chefe de gabinete do deputado Rodrigo Camargo (Republicanos) em fevereiro de março deste ano era o delegado Julio Cesar de Souza Ferreira, que nesse período recebeu um vencimento líquido de mais de R$ 34 mil, de acordo com o contracheque mostrado no Portal Transparência. Há algum tempo vazaram para a imprensa áudios estarrecedores, atribuídos ao delegado Julio Cesar.

Em um desses áudios atribuídos a Julio Cesar, é falado em “burrice” de procuradores da Operação Lava Jato. É dito que seria uma prova de “babaquice” se eles confirmassem a autenticidade do material. No áudio é citado que os procuradores deveriam dizer que não reconheciam o material vazado.

A SIC TV postou uma matéria sobre esse áudio vazado. Veja a reportagem da SIC TV com a degravação, ou leia abaixo o teor do áudio:



“Agora, se eu fosse… Você vê como é que esses procuradores da Lava Jato aí, se reconheceram esse… Esse material, eles são muito Júnior, velho. Muito Júnior, sinceramente. Se falassem assim, ah, de vazar… Pô, como é Júnior, velho? O que eu sei é falar assim, não reconheço. Não reconheço isso aí. Não reconheço esse material. E aí? Como é que eu vou fazer?

Não, bicho, se eles confirmarem que é autêntico o material, é a maior prova de idiotice de tudo que fizeram, até hoje, a maior prova de babaquice, de burrice é essa daí, cara, porque, cara, é muito simples.

É dizer que assim, não reconheço isso aí. Não, não reconheço, forjado, isso é forjado.

Ah, eu vou mostrar, vou mostrar, mostra aí, mostra aí, mostra aí, de onde foi tirado isso aí, de onde foi tirado, quero ver.

Ah, inclusive tá aqui o telefone, nosso telefone tá aqui pra poder extrair, ó.

Evidente que os caras iam trocar o telefone, né, pra entrar um telefone novo. Né, e lógico, não pode ser imbecil a esse ponto, não é verdade?

Vamos lá, não, por coincidência, vocês estão todos com telefone novo “mas e daí?”. Você tem que tá, é a mesma conta do Telegram… tá aqui, ué, até hoje. A mesma conta, o mesmo número instalado aqui, ó, pode extrair.

Se é que, pode fazer perícia aí, a vontade, ó o número do Telegram não mudou, é a mesma conta até hoje, ó pronto. Quer extrair, tá aqui, que isso é mentira.

E aí botava pra cima desse cara, véio. Botava pra cima, simples assim, ué. Todo mundo entra em uma jurização contra ele, por mentira, dando moral e o caralho. Entendeu? Simples assim.”

O grifo em negrito e em itálico foram por conta do blog.

Na prática, o áudio estaria mostrando como procuradores federais deveriam mentir durante uma apuração de irregularidades, ou pelo menos como poderiam omitir informações em uma apuração. Seria uma aula de como evitar que uma irregularidade pudesse resultar na paralisação de uma investigação.

Nos bastidores da Assembleia Legislativa circula que deputados teriam sido investigados ilegalmente no período em que o delegado Julio Cesar foi chefe de gabinete do deputado Rodrigo Camargo. O que reforçaria essa hipótese é que grampos teriam sido encontrados, nesse período, no CPA e também em pelo menos um gabinete na Assembleia Legislativa. Julio Cesar foi exonerado.

Após um período de calmaria em relação ao assunto dos grampos, parlamentares tomaram conhecimento que o deputado Rodrigo Camargo contratou a esposa do delegado Julio Cesar. Renata Miranda de Lima tem vencimento básico de R$ 15 mil, adicionado a R$ 500,00 de indenizações e a mais R$ 500,00 de auxílio alimentação. Com R$ 3.875,83 de deduções obrigatórias, o vencimento líquido fica em 12.124,17.

Nesse caso, teria chamado a atenção o salário alto pago para uma funcionária lotada em gabinete. Diante disso, passou a circular nos bastidores do Poder Legislativo que a suposta investigação poderia não ter parado. Isso porque, há algum tempo, circulou a informação de que o grupo do delegado Julio Cesar teria investigado ilegalmente até o governador, que na época era Daniel Pereira.

Nos bastidores políticos circula que, se um delegado tem a ousadia de investigar um governador sem autorização judicial, o que faria com deputados. Além do mais, também há algum tempo se falou de um suposto plano de um grupo de delegados para tomar o poder, chegando ao governo do estado.

Esse hipotético plano consistiria em prender políticos adversários e empresários. No caso dos políticos, seria para desmoralizar adversários e tornar os tais delegados conhecidos dos eleitores. Em se tratando de empresários, supostamente seria para forçar quem tem dinheiro a ser “amigo” do grupo. Em outras palavras, ou supostamente contribui para uma campanha eleitoral do delegado do grupo, ou vai preso.

Um outro áudio, também atribuído ao delegado Julio Cesar, ex-chefe de gabinete do deputado Rodrigo Camargo, é citado algo sobre esse suposto plano de tomar o poder.  Ouça ao vídeo ou leia a degravação abaixo:




“Mato Grosso foi exatamente assim, cara. O pessoal… o pessoal foi… foi fazendo serviço dessa natureza, prendendo político, prendendo secretário de estado, prendendo prefeito e aí meu irmão, rapidinho… se infiltrando também, muitos delegados se infiltrando na política, sendo candidato.

Esse estágio que nós estamos passando agora em Rondônia, nós temos aí alguns delegados candidatos, nós temos aí agentes, escrivães, estão envolvidos com política, também se infiltrando no meio político e a Polícia fazendo trabalho contra a administração pública, de crimes de crimes contra a administração pública, prendendo político, prendendo empresário, prendendo gente com poder aquisitivo. Isso, cara, são as duas principais frentes de atuação que a gente tem que tomar para a instituição crescer.

Essas duas frentes de atuação aí elas garantem que os caras fiquem com o temor correcional e queiram ser amigos da polícia civil. É o que falta hoje, vontade política de ser amigo da polícia civil, se o cara tiver vontade de ser amigo da polícia civil tudo é possível. Dinheiro o estado tem, é muito dinheiro que o estado tem. Ele não tem a gente como prioridade, mas dinheiro para fazer as coisas, tem muito cara. São 7 bilhões de reais para gastar, 7 bilhões. Então, o que acontece é que nós não somos uma prioridade para o governo, é só isso.

O formato negrito e itálico da fonte é por conta do blog.

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