Celebrações foram gravadas via YouTube para encontrar possíveis crimes eleitorais
Nas duas semanas anteriores ao primeiro turno das eleições, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da organização More in Common analisaram cerca de 7 mil cultos e missas para identificar manifestações políticas e possíveis crimes eleitorais. O levantamento foi divulgado pelo colunista Rodrigo Toniol, da Folha de S.Paulo, e reuniu mais de 13 mil horas de gravações.
De acordo com o colunista, o estudo acompanhou celebrações de três tradições cristãs: Católica, Batista e Assembleia de Deus. Os pesquisadores baixaram transmissões publicadas no YouTube, converteram os vídeos em textos e classificaram as referências à política. Segundo Toniol, a pesquisa poderá servir de base para novas análises sobre a relação entre religião e eleições.
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Os dados apontaram diferenças na presença de propaganda eleitoral entre as instituições. Nas missas católicas, foram identificadas indicações explícitas de voto, ataques a candidaturas ou possíveis crimes eleitorais em 0,7% das celebrações. Entre os batistas, o índice foi de 1,4%, enquanto nas Assembleias de Deus chegou a 8,3%.
A pesquisa também identificou manifestações de apoio a candidatos a deputado estadual e federal, além de referências à disputa presidencial. Segundo a análise, a organização descentralizada das Assembleias de Deus e a relação das igrejas com as comunidades locais podem ajudar a explicar parte dos resultados. Em alguns casos, os apoios ocorreram por meio de panfletos e orientações feitas durante os cultos.
Os pesquisadores também observaram o debate envolvendo Nossa Senhora Aparecida durante o período eleitoral. Nas quase 2 mil missas católicas analisadas, as referências ao tema foram pouco frequentes. De acordo com o levantamento, a discussão não apareceu de forma relevante nos sermões dos padres, embora pudesse ter sido abordada em outros espaços das paróquias.
Pleno News

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