Planos de governo divergem sobre contas públicas, dívidas das famílias, comércio exterior, apostas online e juros; propostas foram apresentadas ao TSE.
Com o primeiro turno das Eleições 2026 marcado para este domingo (4), os planos de governo dos candidatos à Presidência apresentam propostas diferentes para temas que afetam as contas públicas, o crédito, o consumo e o comércio exterior.
Entre os assuntos estão o controle da dívida pública, o endividamento das famílias, as apostas online, as relações comerciais do Brasil e as medidas para inflação e juros. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) disponibiliza os programas de governo apresentados pelas candidaturas e organizados por temas.
A comparação abaixo reúne as propostas de Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo), conforme os planos apresentados à Justiça Eleitoral.
Apostas online
O tema das bets entrou no debate econômico por causa dos efeitos das apostas sobre o orçamento das famílias e das discussões sobre regulação do setor.

As propostas dos candidatos são diferentes:
- Augusto Cury: o plano não cita diretamente bets ou apostas online. O documento aborda dependência digital, redes sociais e jogos eletrônicos.
- Flávio Bolsonaro: propõe impedir o uso de recursos de programas sociais em apostas e prevê campanhas de conscientização e orientação financeira pela Caixa.
- Lula: defende medidas para enfrentar o endividamento relacionado às apostas, regras mais rígidas para concessão de crédito e ampliação do atendimento em saúde mental.
- Renan Santos: o plano não menciona diretamente bets, apostas online ou jogos de azar.
- Ronaldo Caiado: propõe restrições à publicidade de apostas, limite para gastos dos apostadores, tratamento para jogo compulsivo e combate a plataformas ilegais.
- Romeu Zema: o plano não apresenta proposta específica sobre bets ou apostas online.
Dívida pública e contas do governo
A situação fiscal está entre os principais pontos de divergência. Os programas apresentam diferentes caminhos para controlar despesas, reduzir o déficit e estabilizar a dívida.
- Augusto Cury: propõe reduzir o déficit público até próximo de zero e diminuir gradualmente a dívida em relação à economia. Também defende reforma administrativa e uso de inteligência artificial para identificar fraudes e desperdícios.
- Flávio Bolsonaro: propõe alterar as regras fiscais para estabilizar e reduzir a dívida em relação ao PIB, além de limitar empréstimos com juros subsidiados pelo Tesouro e reduzir despesas não obrigatórias.
- Lula: defende a manutenção do Novo Arcabouço Fiscal, com preservação de recursos para saúde, educação e programas sociais. Também propõe revisar benefícios fiscais e aumentar a tributação sobre os mais ricos.
- Renan Santos: propõe uma PEC de Equilíbrio Fiscal e mudanças em benefícios previdenciários, BPC, vinculações de receitas, renúncias fiscais e gastos do funcionalismo.
- Ronaldo Caiado: defende um plano de longo prazo para estabilizar a dívida, limitar o crescimento das despesas obrigatórias e revisar subsídios e benefícios tributários.
- Romeu Zema: propõe redução das despesas públicas, reforma da Previdência, reforma administrativa, revisão das emendas parlamentares, privatizações e venda de imóveis federais sem uso.
O debate ocorre em um cenário de pressão sobre as contas públicas. Dados apresentados na matéria de origem apontam dívida pública equivalente a 82,9% do PIB em agosto.
Endividamento das famílias
O crédito e o endividamento também aparecem nos planos, mas com estratégias diferentes.

- Augusto Cury: propõe um Banco do Empreendedor, com microcrédito de R$ 2 mil a R$ 20 mil, além de mudanças na análise de risco bancário.
- Flávio Bolsonaro: defende redução dos juros e da inflação por meio do reequilíbrio fiscal. Também propõe orientação financeira pela Caixa e programas de renegociação de dívidas.
- Lula: cita programas de renegociação, como Desenrola Brasil, Novo Desenrola e Desenrola Pequenos Negócios, além de regras para concessão responsável de crédito.
- Renan Santos: concentra as propostas na dívida pública e na reorganização do Estado, sem apresentar medidas específicas para renegociação de dívidas das famílias.
- Ronaldo Caiado: relaciona a redução dos juros ao controle das despesas públicas e propõe crédito acompanhado para pequenos empreendedores.
- Romeu Zema: propõe facilitar renegociação e portabilidade de dívidas por meio do Open Finance e mudanças nas garantias de crédito.
Comércio exterior e terras raras
As propostas também divergem sobre a relação comercial do Brasil com outros países e sobre o aproveitamento de minerais estratégicos.

- Augusto Cury: propõe reduzir a burocracia para exportadores, devolver impostos pagos por empresas exportadoras e criar corredores e áreas regionais voltadas à exportação.
- Flávio Bolsonaro: defende ampliar relações comerciais com Estados Unidos, Argentina, Israel, China, União Europeia e países asiáticos.
- Lula: propõe ampliar mercados para produtos brasileiros, fortalecer a indústria nacional e aumentar as exportações de produtos com maior valor agregado.
- Renan Santos: defende uma política externa sem alinhamento automático e propõe Zonas Econômicas Especiais para estimular investimentos e exportações de produtos estratégicos.
- Ronaldo Caiado: defende relações comerciais diversificadas, maior uso de tecnologia nas exportações e processamento de minerais estratégicos no Brasil.
- Romeu Zema: propõe a saída do Brasil dos BRICS, mantendo relações comerciais com os países do bloco, além de transformar o Mercosul em uma zona de livre comércio e reduzir gradualmente tarifas de importação.
Inflação e juros
A inflação e a taxa básica de juros estão diretamente ligadas ao custo do crédito, ao consumo, aos investimentos e ao financiamento da dívida pública.

As propostas apresentadas pelos candidatos incluem:
- Augusto Cury: equilíbrio das contas públicas como caminho para reduzir inflação e juros e oferta de empréstimos de pequeno valor com taxas de 5% a 6% ao ano.
- Flávio Bolsonaro: mudança das regras fiscais para controlar gastos e dívida, além de redução de impostos sobre combustíveis e energia elétrica.
- Lula: manutenção do Novo Arcabouço Fiscal, aumento da produtividade industrial, expansão de fontes de energia limpa e manutenção de estoques de alimentos para reduzir pressões sobre preços.
- Renan Santos: ajuste fiscal amplo para estabilizar a dívida e criar condições para redução dos juros e retomada dos investimentos.
- Ronaldo Caiado: controle das contas públicas e crescimento das despesas abaixo do ritmo da economia, mantendo a autonomia do Banco Central.
- Romeu Zema: busca por superávits nas contas públicas, redução gradual do IOF, diminuição de linhas de crédito subsidiadas e revisão de encargos e subsídios na tarifa de energia.
Onde consultar os planos de governo
Os programas completos das candidaturas à Presidência podem ser consultados diretamente na página criada pelo TSE, que reúne os documentos apresentados pelas chapas e permite pesquisar propostas por assunto.
A consulta aos documentos originais é importante porque as propostas podem apresentar detalhes, metas e condições que não aparecem em uma comparação resumida.
FAQ
Onde estão os planos de governo dos candidatos?
O TSE reúne os programas apresentados pelas candidaturas em uma página específica das Eleições 2026.
Quais candidatos são comparados nesta matéria?
A comparação reúne Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema.
As propostas apresentadas nos planos são promessas de execução?
Os planos registram as propostas apresentadas oficialmente pelas candidaturas à Justiça Eleitoral. A implementação de medidas dependeria das condições políticas, legislativas, orçamentárias e administrativas de um eventual governo.
Quando será o primeiro turno das Eleições 2026?
O primeiro turno ocorre neste domingo, 4 de outubro de 2026. O TSE reúne as informações oficiais sobre o calendário e o processo eleitoral em seu portal.
Com informações de Micaela Santos.

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