Marco Aurélio Mello critica tentativa de investigar Mendonça e alfineta atuação da PGR

Marco Aurélio Mello critica tentativa de investigar Mendonça e alfineta atuação da PGR


O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello afirmou, nesta sexta-feira (4), que não imagina que o ministro Alexandre de Moraes tenha chegado “a esse ponto” de incluir um colega no chamado “inquérito do fim do mundo” – como também é conhecido o inquérito das fake news. A declaração foi dada em entrevista à GloboNews.

A crise no STF foi deflagrada na terça-feira (1º), quando o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que revelou mensagens trocadas entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Em reação, Moraes pediu autorização ao presidente da Corte, Edson Fachin, para incluir Mendonça no inquérito das fake news, que apura ameaças contra integrantes do tribunal.

“Juiz não investiga”

Marco Aurélio defendeu Mendonça e criticou a tentativa de Moraes. “Em primeiro lugar, juiz não investiga, quem investiga é a polícia. O juiz capitaneia o inquérito… É o que vem fazendo o ministro André Mendonça. Ele não pode, utilizando a prática popular de que a melhor defesa é o ataque, ser, a essa altura, execrado”, afirmou.

O ex-magistrado reforçou que “o julgador não pode ser vítima no caso” e disse: “Não posso imaginar, mesmo diante de um autoritarismo maior, que o ministro Alexandre de Moraes tenha chegado a esse ponto de pretender incluir no inquérito do fim do mundo, que está sob a relatoria dele, um colega”.

Defesa de Moro e críticas à PGR

Durante a entrevista, Marco Aurélio também defendeu a atuação do ex-juiz Sergio Moro à frente da Operação Lava Jato. “Não concordo com a assertiva de que na Lava Jato o juiz Sergio Moro investigou. Quem investigou foi o Ministério Público e o juiz Sergio Moro atuou como julgador”, disse.

Sobre o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o ex-ministro afirmou que ele deveria ter encaminhado o pedido de manifestação ao seu substituto. “No Brasil, é muito comum se dar o certo pelo errado e vice-versa. Aí tem a colocação da coisa debaixo do tapete. Isso é péssimo”, pontuou.

Entendimento sobre o papel de Fachin

O ex-ministro avaliou que, diante da situação, o presidente do STF pode assumir a relatoria de processos em que há suspeição de ministros.

Novo posicionamento sobre sessão pública

No último dia 2, Marco Aurélio havia defendido que o STF resolvesse o impasse em uma reunião fechada. Nesta sexta (4), no entanto, o ex-ministro afirmou que a Corte deve dar respostas à sociedade em uma sessão pública.


Gazeta Brasil  com F/M

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