MundoCom apoio de Trump, Junta de Paz diz que Israel só deixará Gaza quando Hamas entregar armas

MundoCom apoio de Trump, Junta de Paz diz que Israel só deixará Gaza quando Hamas entregar armas

 

Organização criada com apoio de Donald Trump para estabilizar o enclave palestino rejeitou versões de retirada imediata e condicionou o cronograma ao cumprimento de obrigações pelo grupo terrorista

A Junta de Paz para Gaza, organização criada com o respaldo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para impulsionar a estabilização do enclave palestino, afirmou nesta segunda-feira (3) que a retirada total das tropas israelenses para além da chamada “Linha Amarela” só começará uma vez que o Hamas complete seu desarmamento integral.


Em comunicado divulgado na rede social X, a entidade, comandada pelo diplomata búlgaro Nikolai Mladenov, rejeitou versões que apontavam para uma retirada imediata de Israel e precisou que o calendário dependerá do cumprimento das obrigações assumidas pelo Hamas.

“Contrariamente a informações inexatas, a retirada total das Forças de Defesa de Israel além da Linha Amarela só terá lugar uma vez que se complete o desarmamento, tal como Hamas se comprometeu com os mediadores. Isso se aplica tanto a armas leves como pesadas, assim como aos túneis”, afirmou a Junta de Paz.

Reunião com Netanyahu e alinhamento com Israel

A declaração foi publicada após uma reunião realizada nesta segunda-feira entre Mladenov e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Segundo a Junta de Paz, o encontro permitiu abordar de maneira “construtiva e exaustiva” os próximos passos do plano para Gaza.

O organismo acrescentou que mantém uma coincidência plena com o governo israelense sobre o objetivo final do processo. “Compartilhamos uma visão comum e um objetivo claro e indiscutível: o desarmamento completo na Faixa e a transição de um regime armado para uma governança civil”, indicou.

Supervisão internacional e compromissos

A Junta de Paz explicou que a aplicação do acordo será supervisionada por uma Força Internacional de Estabilização e por um Comitê de Verificação da Implementação, integrado por representantes dos Estados Unidos e da própria Junta.

O organismo também sublinhou que o avanço do processo dependerá de que todas as partes respeitem os compromissos estabelecidos. “O progresso contínuo para a plena implementação depende de que cada parte cumpra com suas obrigações conforme o marco acordado”, afirmou o comunicado.

Divergências e pressão israelense

A aclaração ocorreu depois que surgiram diferenças entre Washington e Jerusalém sobre o conteúdo da próxima fase do plano para Gaza. Dias atrás, a Junta de Paz havia difundido um documento que propunha uma retirada gradual das forças israelenses e o cessar imediato das operações militares — proposta questionada pelo governo de Netanyahu.

Desde a chancelaria israelense, foi afirmado que o texto divulgado publicamente não refletia a posição oficial de Israel e que as observações foram transmitidas às autoridades americanas. Integrantes do gabinete de segurança israelense reclamaram a revisão do acordo, alegando que algumas disposições não garantiam suficientemente a desmilitarização do Hamas.

O anúncio de Trump e a posição do Hamas

A Junta de Paz emitiu seu novo pronunciamento poucos dias depois de Trump anunciar que o Hamas havia aceitado um acordo para seu “desarmamento total”, que chamou de “marco histórico”. O plano prevê que, após a entrega do armamento e o desmantelamento dos túneis, possa ser iniciada uma nova etapa focada na administração civil do território.

O Hamas confirmou sua disposição em avançar com o desarmamento, mas reiterou que o processo deve ser acompanhado pela retirada das forças israelenses de Gaza. O grupo também apresentou outras condições, incluindo a reconstrução do enclave, garantias para a autodeterminação palestina e a criação de um Estado palestino independente.

As autoridades israelenses insistem que qualquer acordo duradouro exige a eliminação verificável e irreversível da capacidade militar do grupo terrorista.


Gazeta Brasil

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