Candidato à Presidência foi impedido de ver Jair Bolsonaro no Dia dos Pais por determinação do STF; restrição ocorre após divulgação de manifesto.
O candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), chorou neste domingo (9) durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais ao comentar a impossibilidade de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no Dia dos Pais. O ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar em Brasília, está impedido de receber visitas dos filhos por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Estou com saudade de ouvir sua voz, sua risada, suas piadas sem graça. Mas não tem mal que dure para sempre. Deus só está nos capacitando para algo muito maior em nossas vidas. Até breve. Te amo. Fique com Deus”, declarou Flávio, que também enviou uma mensagem aos espectadores: “Aquela discussão que um filho tem com o pai, deixe de lado. Abrace seu pai, seu avô”.
A determinação judicial O ministro Alexandre de Moraes indeferiu o pedido apresentado pela defesa dos filhos do ex-presidente para autorizar o encontro durante o feriado. As visitas a Jair Bolsonaro estão suspensas temporariamente por 30 dias, mantendo-se o acesso permitido apenas a advogados e profissionais de saúde.
A restrição mais severa foi direcionada a Flávio Bolsonaro, que está impedido de visitar o pai por 90 dias, prazo que se estende até o encerramento do período eleitoral. A medida foi adotada pela Corte após o candidato divulgar publicamente a “Carta aos brasileiros”, um manifesto assinado pelo ex-presidente. No entendimento do magistrado, a publicação descumpriu a medida cautelar que proíbe Jair Bolsonaro de se comunicar com o público por meio de redes sociais ou intermediários.
Os demais filhos, Carlos Bolsonaro e Jair Renan, poderão retomar o convívio presencial após a segunda quinzena de agosto, enquanto Eduardo Bolsonaro permanece nos Estados Unidos. O ex-presidente cumpre a pena em regime domiciliar em um condomínio na região do Jardim Botânico, em Brasília.
Abaixo a íntegra da carta de Flávio Bolsonaro:
Pai,
Acabei de fazer uma agenda em Itapetininga/SP, quando tomei ciência de que o nosso pedido (meu, do Carluxo e do Renan) havia acabado de ser negado. Por isso lhe escrevo, pois não poderei te dar um abraço e matar a saudade como gostaria.
Cada pessoa que encontro na rua, no elevador, no hotel, no restaurante, no aeroporto, em qualquer recanto do nosso Brasil, pede pra eu levar o seu abraço, mas no momento eu não posso dizer: “vou dar seu abraço sim, pode deixar”.
Fico sabendo pelos outros advogados como está sua saúde e seu humor, pergunto todos os dias, sem falta. Hoje me disseram que estavam sem saber ainda, porque sábado não tem visita de advogados. Então fiz minha oração pedindo a Deus que estivesse bem, como faço várias vezes ao dia.
Quanto à campanha, estamos indo bem! Junto com o Marinho conseguimos fechar bons palanques em quase todos os estados. Apesar de os partidos de centro não terem vindo formalmente nos apoiar, as principais lideranças de todos eles estão com a gente!
Quando recebi o seu manto e aceitei a missão de disputar a presidência do Brasil em seu lugar, você sabe que só fui porque tenho certeza que é projeto de Deus pro nosso Brasil, e somos apenas instrumentos usados por Ele para isso.
Nos meus discursos, quando falo que você vai colocar a faixa de presidente em mim, em 27 de janeiro, o povo vai ao delírio e eu fico mentalizando essa cena na minha cabeça. Vai acontecer, em nome de Jesus!
Pai, fique firme! Já, já você sai daí e o Brasil vai te receber de braços abertos, da forma que você merece: como um herói!
Sigo firme aqui na missão, me movendo e tomando decisões pela fé!
Proibir um filho de visitar um pai, ou o pai de dar um abraço nos filhos, no Dia dos Pais, é desumano, é insano, é injusto, é triste…
Tô com saudade de ouvir sua voz, sua risada, suas piadas sem graça. Mas não tem mal que dure pra sempre. Deus só está nos capacitando pra algo muito maior em nossas vidas!
Até breve! Te amo! Fique com Deus
Tchau,
Flávio Bolsonaro.
Gazeta Brasil com F/M
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