Como num campo missionário, o cristão pode sofrer perseguição, mas deve dar bom testemunho e preservar a imagem do Evangelho
Por Patricia Scott
A família é a base, o alicerce, de todo indivíduo. É certo que não existe núcleo familiar perfeito. Então, as diferenças são inevitáveis, o que faz com a convivência seja um grande desafio. E quando a disparidade envolve questões religiosas, a situação pode ser agravada. Nesse sentido, como o crente deve proceder para que não haja confrontos e o Evangelho tenha a imagem preservada?
A jovem Pat Müller, de 33 anos, vivenciou exatamente essa experiência. O período compreendeu entre a sua conversão a Jesus até toda a família também abraçar o Evangelho, o que, segundo ela, não demorou muito tempo. “Eu sabia que ao decidir seguir a Cristo, meu pai ficaria indignado, especialmente por termos criticado a igreja tantas vezes juntos”, conta.
De fato, ao tomar conhecimento da conversão, o pai de Pat demonstrou muita chateação. “Ele expressou desapontamento com minha escolha e chegou a dizer que eu não deveria mais considerá-lo como pai”, testemunha ao revelar que foi um período difícil. “Claro que doeu ouvi-lo dizer que eu não era mais sua filha, mas permaneci firme em minha decisão”.
Pat compartilha ainda que a mãe apoiava a postura do seu pai. No entanto, aceitava os convites para orarem juntas. “Isso me enchia de esperança, pois desejava que todos encontrassem a salvação”, afirma a autora do livro “As Estrelas Sempre Brilham Acima das Luzes Escuras”, lançamento da Mundo Cristão.

Oração e confiança
Müller admite que foi um tempo de intensa oração e confiança em Deus. Ela sabia que era questão de tempo até o pai perceber que a escolha por Jesus era o melhor caminho. “Um período de discipulado foi fundamental para manter meus olhos no alvo e para entregar meus medos, dores e tristezas a Jesus”, salienta Pat, acrescentando que aprendeu muito nos meses em que foi vista como uma adversária dentro de casa.
Sobre a convivência familiar, ela diz ter aprendido na prática que o melhor lugar para estar, visando lidar com as diferenças e os conflitos, era aos pés de Jesus. “Evitava ao máximo os confrontos diretos e entregava a Deus as ofensas e as críticas diárias através da oração”, comenta.
Assim, sempre que confrontada, Pat mantinha os olhos em Cristo e confiava que era necessário passar por aquele tempo, pois Ele tinha um plano. “Meus discipuladores foram essenciais nesse período, porque eu conhecia tão pouco da Palavra. Eles me instruíram e me ajudaram nesse início de caminhada conflituosa através de conversas pelo MSN”.

Campo missionário
O pastor Wagner Escatamburgo destaca que é importante o novo crente entender que a sua casa é o campo missionário mais difícil de todos. Isso porque poderá haver perseguição, exclusão, provocação, acusação. No entanto, o cristão tem a imensa responsabilidade de preservar a boa imagem do Evangelho.
“É preciso ter equilíbrio entre os familiares. Cristo disse que somos sal da terra e luz do mundo [Mateus 5.13-16], o que significa trazer tempero equilibrado, sem ser muito salgado, ou seja, muito santo ao ponto de criticar tudo que vê, ou insípido, sem valor ou sem a característica atrativa do sal”.
O líder religioso alerta também que o cristão deve respeitar as diferenças de fé que há entre os familiares. Entretanto, é fundamental saber que os conflitos serão inevitáveis, mas a resposta branda desvia o furor [Provérbios 15.1]. “Nos momentos de conflito, o cristão deverá manter-se calmo e ciente de que a Palavra dura suscita a ira”, diz o pastor da Assembleia de Deus Ministério Vale das Virtudes, no bairro Inocoop, em Campo Limpo (SP).
Força do testemunho
Em contrapartida, o testemunho sempre terá peso maior do que as próprias palavras, de acordo com Wagner, destacando que a Bíblia revela diversos exemplos importantes que auxiliam e orientam o crente no que diz respeito a ser exemplo [Atos 10 1,2; 1 Timóteo 4.12; 1 Pedro 3.1,2]. “Os olhares sempre estarão atentos ao testemunho que por nós é dado. Nosso exemplo de fato influencia, motiva e demonstra nossa realidade de fé e caráter”, ele afirma.
O pastor reforça a importância do bom testemunho em todas as áreas da vida. Isso significa ser verdadeiro nos negócios, no comportamento [Mateus 5.13,14], no agir, no linguajar irrepreensível, santo, educado [Tito 2.8]. “Somos aqueles que serão vistos por nossos familiares. Então, preguemos o Evangelho a todo tempo e, se necessário, usemos também as palavras.”
Na opinião de Wagner, uma das principais batalhas do crente é ganhar os familiares para Jesus, um campo em que, sim, é possível sair vitorioso. “Um dos pilares de como ganhar a família para Cristo é crer, pois somente Jesus tem o poder de salvar”, orienta. Além disso, ele acrescenta que é fundamental que o cristão apresente a Deus os familiares em oração, porque só Deus tem o poder de convencê-los do pecado, da justiça e do juízo [João 16.8-11]. “Sem contar que devemos dar um testemunho que honre o Senhor [Mateus 10.37], sem menosprezar os pais [Efésios 6.2] ou os familiares”, finaliza.
Comunhão
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