Pela primeira vez na história, o Ministério da Saúde do Chile (Minsal) declarou alerta sanitário por hantavírus em 13 das 16 regiões do país — abrangendo do Atacama até Magalhães. O decreto, publicado no Diário Oficial chileno, tem validade até 31 de julho de 2027 e leva em consideração um cenário de “multiameaça sanitária”, já que a nação enfrenta simultaneamente outros riscos de saúde pública, como arboviroses (dengue, zika, chikungunya e febre amarela) e a gripe aviária.
Letalidade disparou no último ano
De acordo com a subsecretária de Saúde Pública do país, Alejandra Pizarro, o Chile registrava, até a semana passada, 46 casos de hantavírus e 18 mortes, o que representa uma taxa de letalidade de 39%. Em 2025, o país contabilizou 44 casos e oito óbitos no mesmo período, com uma taxa de letalidade de 18%. A maior parte dos registros concentra-se nas regiões de Valparaíso, Metropolitana, O’Higgins, Maule, Ñuble, Biobío, La Araucanía, Los Ríos, Los Lagos e Aysén.
“O hantavírus produz uma doença endêmica no Chile, transmitida pelo rato-de-cauda-longa, que habita zonas rurais e semirrurais de quase todo o país. Estamos monitorando o comportamento do vírus permanentemente e nos mantemos muito preocupados e mobilizados, pois a letalidade aumentou consideravelmente este ano”, afirmou Pizarro.
Medidas preventivas e poderes especiais
A declaração do alerta sanitário — embora preventiva e sem indicar uma epidemia descontrolada em curso — concede ao governo chileno poderes extraordinários para reforçar a vigilância epidemiológica, agilizar a gestão de verbas, contratar pessoal especializado, intensificar a fiscalização sanitária e adquirir insumos de forma rápida.
“O hantavírus não é um problema exclusivo do verão, pois o rato-de-cauda-longa permanece ativo o ano todo. Por isso, pedimos que a população dobre os cuidados: não tocar em roedores, ventilar imóveis fechados antes de entrar, lavar ambientes sem uso com água e cloro, manter o lixo tampado e os alimentos bem protegidos”, orientou a subsecretária.
Sintomas e atendimento médico
A autoridade de saúde destacou a importância de reconhecer os sintomas iniciais da infecção: febre alta, dores musculares intensas e dificuldade para respirar. “Se alguém apresentar esses sintomas e tiver frequentado áreas rurais ou semirrurais onde há presença do rato-de-cauda-longa, deve procurar imediatamente um centro de saúde e informar a equipe médica para garantir um diagnóstico precoce”, alertou.
Alerta internacional da OPAS
Desde dezembro de 2025, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) mantém um alerta epidemiológico devido ao aumento expressivo de casos de hantavírus em todo o Cone Sul. O decreto do governo chileno também abrange medidas de combate aos mosquitos Aedes aegypti, Aedes vexans e Anopheles pseudopunctipennis, vetores de doenças como a dengue e a zika, que possuem alto potencial epidêmico e risco de sobrecarga na rede pública de saúde.
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