MP alerta que investigações qualificadas são essenciais para condenações em crimes sexuais contra crianças

MP alerta que investigações qualificadas são essenciais para condenações em crimes sexuais contra crianças

 Capacitação promovida pelo Ministério Público de Rondônia reuniu forças de segurança para discutir combate à violência sexual infantil na internet.

                                                                     Imagem gerada por IA.


Investigações policiais qualificadas e conduzidas com metodologia especializada são fundamentais para garantir condenações justas em casos de violência sexual contra crianças e adolescentes praticados pela internet. Esse foi o principal alerta apresentado durante capacitação promovida pelo Ministério Público de Rondônia (MPRO), nesta segunda-feira, em Porto Velho, dentro da programação da campanha Maio Laranja.

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A atividade foi ministrada pela delegada da Polícia Federal Rafaella Parca, coordenadora nacional de combate a crimes cibernéticos relacionados ao abuso sexual infantil. Durante a palestra, a especialista destacou a importância de investigações estruturadas, com equipes capacitadas, protocolos de proteção às vítimas e coleta adequada de provas digitais.

Segundo a delegada, os crimes sexuais contra crianças e adolescentes podem ocorrer tanto em ambientes virtuais quanto presencialmente. Entre os principais delitos praticados pela internet estão estupro virtual, produção, armazenamento, compartilhamento e venda de imagens de violência sexual envolvendo menores.

Rafaella Parca chamou atenção para o crescimento significativo da comercialização desse tipo de conteúdo nos últimos anos, impulsionado pela popularização das criptomoedas e transferências instantâneas via Pix, cenário que elevou o monitoramento da Polícia Federal sobre organizações criminosas especializadas nesse tipo de prática.

A delegada também explicou que criminosos costumam criar perfis falsos nas redes sociais para conquistar a confiança das vítimas, manipular emocionalmente crianças e adolescentes e posteriormente chantageá-los para obter imagens íntimas.

Durante a capacitação, foram apresentadas estratégias operacionais consideradas fundamentais para o sucesso das investigações. Entre elas, o fator surpresa durante operações policiais, a preservação da integridade das provas digitais, o acolhimento imediato de crianças vítimas e a análise minuciosa dos materiais apreendidos.

Outro ponto enfatizado foi a necessidade de individualizar cada crime identificado durante as investigações, permitindo que Ministério Público e Judiciário tenham elementos suficientes para denúncias e condenações proporcionais à gravidade dos fatos.

Dados apresentados durante o evento mostram a dimensão do problema no país. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, oito em cada dez estupros registrados no Brasil têm como vítimas crianças e adolescentes. A maioria das vítimas é do sexo feminino, e grande parte dos abusos ocorre dentro do ambiente familiar ou praticado por pessoas próximas.

A programação do Maio Laranja foi organizada pela Ouvidoria-Geral do MPRO e pela Promotoria da Infância. Participaram representantes das polícias Civil, Militar, Federal e Rodoviária Federal, além de integrantes das Forças Armadas, ABIN e Defensoria Pública.

Durante a abertura, o procurador-geral de Justiça, Alexandre Jésus de Queiroz Santiago, reforçou a importância da atuação integrada entre as instituições no enfrentamento aos crimes sexuais contra crianças e adolescentes.

“O foco precisa ser sempre a proteção integral das crianças e adolescentes e a responsabilização dos autores desses crimes”, destacou.

Por MPRO - 50

da redação FM

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