Espécie introduzida há 70 anos destrui a floresta, compacta solo e ameaça comunidades indígenas; ICMBio retoma manejo letal.
A Justiça Federal autorizou o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) a retomar o abate controlado de búfalos-asiáticos na Reserva Biológica do Guaporé, em Rondônia. A decisão atende a um pedido técnico do órgão ambiental e libera o manejo letal de aproximadamente 5 mil animais — cerca de 10% da população atual.
O início do problema
A invasão ecológica começou em 1953. Na época, 36 búfalos foram abandonados em uma fazenda experimental na região. Sem predadores naturais e com alimento abundante, a mancha cresceu de forma descontrolada. Hoje, estima-se que 50 mil búfalos vivam dentro da reserva.
O impacto na floresta é silencioso, mas devastador. Os búfalos caminham em fila indiana compactando o solo, impedem a germinação de sementes nativas, alteram a vegetação e provocam o assoreamento severo de rios. Na ecologia, animais com esse nível de transformação do ambiente são chamados de "engenheiros ambientais".
Riscos sanitários e ameaça a indígenas
Além da destruição física do habitat, os búfalos asiáticos representam um perigo invisível: a transmissão de zoonoses. Entre os riscos estão a febre aftosa, que afeta a economia local, e doenças que ameaçam espécies nativas em extinção, como o cervo-do-pantanal.
A situação também gerou preocupação em relação à segurança das aldeias indígenas da região. Segundo relatos, animais agressivos já teriam ameaçado comunidades, o que acelerou a necessidade de uma resposta do poder público.
Como funcionará o abate
O projeto autorizado é um manejo letal técnico e tem caráter de projeto-piloto. Por se tratar de área alagada e de dificílimo acesso, a logística impede a remoção das carcaças — um búfalo adulto pode pesar quase uma tonelada.
O protocolo, conduzido por controladores certificados, prevê que os corpos permaneçam no local e sirvam de alimento para predadores de topo, como a onça-pintada. O processo já é monitorado por câmeras armadilha. O consumo humano da carne foi descartado devido ao alto risco sanitário.
Versão do ICMBio
Em nota, o ICMBio afirma que a medida é a última ferramenta técnica disponível para garantir a sobrevivência do ecossistema da reserva. O órgão reforça que a introdução da espécie exótica foi responsável pelo desequilíbrio e que o manejo letal, embora difícil, é necessário.
A decisão da Justiça Federal ainda cabe recurso, mas, por ora, autoriza a retomada imediata do abate. A operação ocorre sob sigilo técnico para evitar riscos aos agentes e interferências no protocolo científico.
POrtal CGC
Postar um comentário