Acampamento Terra Livre 2026 reúne milhares de indígenas em Brasília pela demarcação de terras

Acampamento Terra Livre 2026 reúne milhares de indígenas em Brasília pela demarcação de terras

 Mobilização organizada pela Apib espera até 8 mil participantes no Eixo Cultural Ibero-Americano; pauta inclui crise climática e candidaturas para as eleições de outubro.

                                                                © Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil


Indígenas de todas as regiões do Brasil começaram a ocupar o Eixo Cultural Ibero-Americano, em Brasília, neste domingo, 5 de abril, para a 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL 2026). Considerada a maior mobilização do gênero no país, o evento deste ano projeta a participação de até 8 mil pessoas, entre representantes dos 391 povos originários e apoiadores. Sob o tema “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”, o acampamento abre o chamado Abril Indígena, focando na pressão pela homologação de novos territórios e na defesa dos direitos constitucionais frente a teses como a do marco temporal.

O coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Dinamam Tuxá, destacou que o eixo central das discussões permanece sendo o reconhecimento do direito originário à terra. Embora o governo federal tenha homologado 20 novos territórios entre 2023 e 2025, totalizando 2,5 milhões de hectares protegidos, o movimento afirma que o passivo de demarcação ainda é elevado. Atualmente, cerca de 110 áreas estão sob análise da União, e os líderes esperam que novos anúncios de criação de terras indígenas ocorram durante a semana de mobilização na capital federal.

Além da pauta territorial, o ATL 2026 incorpora debates sobre a crise climática e a participação política. Na próxima quinta-feira, 9 de abril, será lançada a iniciativa “Campanha Indígena”, que visa orientar e alavancar candidaturas de representantes dos povos originários nas eleições de 2026. O objetivo da Apib é fortalecer uma frente parlamentar que defenda os interesses indígenas no Congresso Nacional. Marchas pela Esplanada dos Ministérios também estão programadas, com a primeira marcada para terça-feira, em protesto contra projetos de lei que liberam a mineração em terras protegidas.

Para muitos participantes, como Cotinha Guajajara, que viajou 1,4 mil quilômetros do Maranhão até Brasília, o evento é uma oportunidade de expor a cultura local e cobrar a ampliação de áreas já homologadas que se tornaram insuficientes para as comunidades. Já para Oziel Ticuna, mestrando na UnB que acompanha a chegada de parentes do Amazonas, o ATL representa uma forma essencial de organização coletiva e proteção cultural. A programação do acampamento segue até o próximo sábado, 11 de abril, com mesas de debate sobre saúde, educação e relações internacionais.

Por Alex Rodrigues - Repórter da Agência Brasil - 20

da redação FM

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