Presidente dos EUA estabeleceu prazo até 6 de abril para suspender bombardeios contra infraestrutura energética a pedido de Teerã; apesar do tom otimista da Casa Branca, autoridades iranianas classificam proposta norte-americana de 15 pontos como "unilateral e injusta".
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O presidente Donald Trump confirmou, nesta quinta-feira (26), uma trégua de dez dias nos ataques aéreos voltados às usinas de energia do Irã. A pausa, que se estende até as 20h do dia 6 de abril, atende a uma solicitação do governo iraniano enquanto as frentes diplomáticas tentam avançar em um cessar-fogo. Em postagem em sua rede social, Trump afirmou que as conversas estão indo “muito bem”, contrastando com o ceticismo de Teerã, que vê a lista de exigências de Washington como uma tentativa de controle total sobre sua soberania e recursos naturais.
A guerra, que já completa quase quatro semanas, tem gerado impactos severos na economia global. O bloqueio do Estreito de Ormuz e os ataques mútuos fizeram o preço do petróleo saltar para US$ 108 por barril, uma alta de 40% desde o início das hostilidades. Além do combustível, o mercado de fertilizantes registrou aumento de 50%, ameaçando a segurança alimentar mundial. Trump reiterou que, caso o Irã não abandone permanentemente suas ambições nucleares e libere o fluxo marítimo, os EUA se tornarão o “pior pesadelo” da República Islâmica.
Estreito de Ormuz e a logística da guerra
O controle do Estreito de Ormuz permanece como o ponto de maior tensão nas negociações. Como gesto de boa vontade, o Irã permitiu a passagem de dez navios petroleiros, incluindo embarcações com bandeiras do Paquistão, Tailândia e Malásia. No entanto, o governo norte-americano mantém a pressão militar com o envio de milhares de soldados para a região, sinalizando que uma invasão terrestre continua sendo uma opção estratégica caso a diplomacia intermediada pelo Paquistão, Turquia e Egito fracasse nos próximos dias.
A lista de 15 pontos enviada pelos EUA exige o desmantelamento do programa nuclear iraniano, a contenção de mísseis e a entrega do controle operacional do estreito. Por outro lado, o Irã endureceu sua posição, exigindo compensações financeiras pelas perdas de infraestrutura e a inclusão do Líbano em qualquer acordo de paz. Em Porto Velho, analistas observam que a volatilidade do petróleo pode refletir em novos reajustes nos preços dos combustíveis locais nas próximas semanas, caso a trégua de dez dias não resulte em um acordo definitivo.
Por Steve Holland e Parisa Hafezi e Alexander Cornwell - repórteres da Reuters - 20
da redação FM







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