TJRO declara inconstitucional emenda que alterava estrutura da Advocacia Pública de Rio Crespo

TJRO declara inconstitucional emenda que alterava estrutura da Advocacia Pública de Rio Crespo

 

          TJRO declara inconstitucional emenda que alterava a estrutura da Advocacia Pública de Rio Crespo – Foto: TJRO/Divulgação (Alô Rondônia)


Norma municipal permitia criação de carreira paralela e nomeação de procurador-geral sem concurso; decisão restabelece estrutura anterior

Porto Velho, Rondônia - O Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO) declarou inconstitucional, nesta segunda-feira (2), a Emenda à Lei Orgânica nº 003/2025 do Rio Crespo, que alterava a estrutura da Advocacia Pública municipal. A decisão foi tomada pelo Tribunal Pleno Judicial ao julgar procedente a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) proposta pela Associação Nacional da Advocacia Pública Municipal (Anapm).

Com a decisão, volta a valer a estrutura anterior da Procuradoria Municipal, composta por servidores efetivos concursados.

EMENDA PERMITIA CARREIRA PARALELA E NOMEAÇÕES POLÍTICAS

Segundo a Anapm, a emenda aprovada pelo município promoveu um desmonte da Advocacia Pública, ao:
  • revogar dispositivos que garantiam carreira organizada e vínculo efetivo;
  • permitir a criação de uma carreira paralela com cargos comissionados;
  • autorizar que o procurador-geral fosse nomeado entre pessoas de fora do quadro efetivo.
Para a entidade, a norma violava o princípio do concurso público, a unicidade institucional das Procuradorias e a jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal Federal (STF), que reconhece a natureza técnica e essencial da advocacia pública.

TJRO RECONHECE INCONSTITUCIONALIDADE MATERIAL

No julgamento, o relator, juiz convocado Flávio Henrique de Melo, rejeitou a tese de vício formal, mas reconheceu a inconstitucionalidade material da emenda.

Em seu voto, destacou que:
  • desde 2019, Rio Crespo havia instituído Procuradoria Municipal formada exclusivamente por servidores efetivos;
  • permitir que o procurador-geral seja chefe estranho ao quadro viola o modelo constitucional da advocacia pública;
  • alterações que fragilizam o corpo técnico afrontam o concurso público e a organização institucional prevista na Constituição.
O magistrado reafirmou que a Advocacia Pública municipal deve ser estruturada por servidores concursados, responsáveis pela representação judicial e extrajudicial do município.

ESTRUTURA ANTERIOR É RESTABELECIDA

Com o reconhecimento da inconstitucionalidade, o Tribunal restabeleceu o modelo anterior da Procuradoria Municipal de Rio Crespo, mantendo:
  • cargos exclusivamente efetivos;
  • atuação técnica e contínua;
  • funções de representação, consultoria e assessoramento jurídico.
A decisão tem efeitos retroativos, anulando integralmente a emenda de 2025.

da redação FM

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