STF forma maioria para derrubar decisão de Mendonça sobre prorrogação da CPMI do INSS

STF forma maioria para derrubar decisão de Mendonça sobre prorrogação da CPMI do INSS

 

Supremo Tribunal Federal formou maioria nesta quinta-feira (26) para derrubar a decisão do ministro André Mendonça que determinava a prorrogação da CPMI do INSS por mais 60 dias. O placar chegou a 6 votos a 2 contra a medida.

Votaram pela derrubada da decisão os ministros Flávio DinoAlexandre de MoraesCristiano ZaninNunes MarquesDias Toffoli e Cármen Lúcia. Já Mendonça foi acompanhado pelo ministro Luiz Fux, formando a divergência.

Relator do caso, Mendonça defendeu a continuidade das investigações e questionou o impacto do encerramento da comissão. “O que vai acontecer se não prorrogarmos essa CPI do INSS?”, afirmou. Em seguida, destacou: “Um caso que envolve roubo de bilhões de reais dos mais vulneráveis da nossa sociedade, órfãos com suas mães; avós que cuidam dos seus filhos e dos seus netos não vão ter a resposta, ao menos do Congresso Nacional”.

Apesar disso, a maioria dos ministros entendeu que a prorrogação automática da comissão não encontra respaldo na Constituição. O primeiro a abrir divergência foi Flávio Dino, que sustentou que o tema é de competência interna do Congresso Nacional e que não existe direito automático à extensão do prazo de CPIs.

Durante o julgamento, houve momentos de tensão. Os ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes criticaram a atuação da comissão e chegaram a classificar práticas relacionadas à CPMI como “criminosas”.

Os votos contrários à decisão de Mendonça também ressaltaram que a função investigativa do Legislativo é limitada e deve respeitar prazos definidos, sem possibilidade de ampliação automática sem deliberação política interna.

A ação foi apresentada pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI, pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL), relator, e pelo deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS). Eles alegaram omissão da Mesa Diretora do Congresso Nacional, comandada por Davi Alcolumbre, ao não dar andamento ao pedido de prorrogação do colegiado.

Segundo os parlamentares, o requerimento, protocolado em dezembro de 2025, atendia às exigências constitucionais e regimentais. Sem a prorrogação, a CPMI do INSS tem previsão de encerramento em 28 de março.

O julgamento ainda não foi finalizado, mas a maioria já formada no STF indica tendência de impedir a extensão dos trabalhos da comissão. A decisão final deverá consolidar os limites entre a atuação do Judiciário e do Legislativo na condução de comissões parlamentares de inquérito.

Gazeta Brasil

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