Pedido de destaque de Fux suspende julgamento sobre privatização da Sabesp no STF

Pedido de destaque de Fux suspende julgamento sobre privatização da Sabesp no STF

 Relator Cristiano Zanin votou por manter a desestatização, mas análise será reiniciada no plenário físico; PT questiona preço de venda e favorecimento no processo de 2024.

                                                                                 © Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil


O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) interrompeu, nesta sexta-feira (20), o julgamento que analisa a constitucionalidade da privatização da Companhia Paulista de Saneamento Básico (Sabesp). A análise ocorria em ambiente virtual, mas foi paralisada por um pedido de destaque feito pelo ministro Luiz Fux. Na prática, a medida zera a votação e transfere o caso para o plenário físico da Corte, em data ainda a ser agendada.

 

Antes da suspensão, o relator do caso, ministro Cristiano Zanin, já havia depositado seu voto favorável à manutenção da desestatização. Zanin rejeitou a ação movida pelo Partido dos Trabalhadores (PT) por insuficiência de fundamentação, argumentando que a sigla apresentou impugnações genéricas, o que é inadmissível em ações de controle de constitucionalidade. A movimentação jurídica ocorre em meio a articulações políticas intensas: na véspera da sessão, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, esteve em Brasília para reuniões estratégicas com ministros do Supremo.

Contestações e o histórico da venda

A privatização da Sabesp foi concluída em julho de 2024 e gerou aproximadamente R$ 14,7 bilhões aos cofres públicos. No entanto, o processo enfrenta forte oposição judicial baseada em três eixos principais:

Preço de Venda: O PT alega que as ações foram vendidas a R$ 67, valor considerado abaixo do preço de mercado.

Favorecimento: A sigla questiona a limitação de acionistas que teria favorecido a Equatorial, única empresa a apresentar proposta como investidora de referência.

Conflito de Interesses: O partido contesta a participação de ex-diretores da Equatorial no conselho que deliberou sobre a venda.

Em 2024, o então presidente do STF, Luís Roberto Barroso, já havia negado uma liminar contra o processo, afirmando que a suspensão da desestatização poderia causar prejuízos de R$ 20 bilhões ao estado de São Paulo. Com o destaque de Fux, o mérito dessas questões será agora debatido presencialmente por todos os ministros do Tribunal.

Por Felipe Pontes - repórter da Agência Brasil - 20

da redação FM

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